A água virou arma política na reta final da eleição baiana. Depois de reunir cerca de 40 mil pessoas em Irecê neste domingo (27), segundo estimativa divulgada pela campanha e repercutida pela imprensa, ACM Neto (União Brasil) colocou a Barragem de Mirorós no centro do confronto com Jerônimo Rodrigues (PT) e acusou os governos petistas de deixarem uma solução estrutural para a região presa durante anos no terreno das promessas.
“É garantir água, água para produção, água para quem vive na zona rural. Eu tenho esse compromisso, que aliás ficou 20 anos na promessa do PT e agora dos quatro de Jerônimo Rodrigues em relação a Mirorós, que é uma prioridade para a região de Irecê”.
A cobrança toca justamente num problema antigo. Estudos oficiais para reforçar a segurança hídrica da Bacia do Rio Verde com água do São Francisco até Mirorós existem há mais de uma década. Em 2014, a Codevasf anunciou estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental para o sistema, que deveria reforçar a Adutora do Feijão, o perímetro irrigado e o abastecimento da região.
Documentos posteriores continuaram tratando o reforço como projeto necessário para enfrentar a escassez hídrica, mostrando que o tema sobreviveu a sucessivos governos sem uma solução definitiva.
Foi exatamente nesse ponto que Neto apertou o discurso contra Jerônimo. Para o candidato, Irecê tem capacidade de produzir mais, gerar renda e ampliar a atividade no campo, mas continua limitada pela infraestrutura hídrica.
“Eu acho que aqui há um potencial enorme para produção, para a zona rural, para quem vive da terra, mas falta compromisso que eu quero trazer”.
A promessa é transformar o reforço de Mirorós em prioridade de governo caso seja eleito, ligando a pauta da água diretamente à produção agrícola e à economia regional.
O contraste que Neto tenta impor é simples e politicamente explosivo: de um lado, governos petistas que administram a Bahia há duas décadas e um projeto hídrico que continua sendo debatido; do outro, a promessa de entregar a obra que, segundo ele, nunca saiu de vez do papel.
O histórico mostra que houve intervenções relevantes na região, como a Adutora do São Francisco inaugurada ainda no governo Jaques Wagner, mas o próprio poder público continuou reconhecendo a necessidade de reforço hídrico para Mirorós.
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