IA / Mongatem TVS1
A reta final da eleição para o Governo da Bahia coloca sob os holofotes não apenas os candidatos, mas também personagens ligados política ou administrativamente ao grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Entre eles estão o deputado estadual Binho Galinha (Avante), que permanece preso; o ex-deputado Uldurico Júnior, preso preventivamente após ter integrado o MDB e ocupado espaço no governo estadual; o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, investigado pela Polícia Federal; e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, condenado por lavagem de dinheiro e atualmente uma das figuras influentes do MDB baiano.
Os vínculos de cada um com o atual grupo governista são diferentes e precisam ser tratados separadamente.
Binho Galinha é o caso judicial mais avançado. Integrante da base de Jerônimo na Assembleia Legislativa e filiado ao Avante, partido da aliança governista, o parlamentar está preso desde outubro de 2025. Em julho, foi condenado em primeira instância a 36 anos e nove meses por crimes relacionados ao Estatuto do Desarmamento. Em setembro, o TRE-BA também indeferiu seu registro de candidatura à reeleição, decisão contra a qual a defesa anunciou recurso.
Uldurico Júnior, por sua vez, foi preso preventivamente em abril na Operação Duas Rosas, sob suspeita de participação no esquema que teria facilitado a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis. A defesa nega as acusações. Uldurico disputou a Prefeitura de Teixeira de Freitas em 2024 pelo MDB com apoio de Jerônimo Rodrigues.
No primeiro escalão do próprio governo está Eduardo Mendonça Sodré Martins. Secretário estadual do Meio Ambiente desde o início da gestão Jerônimo, Sodré aparece como investigado em apurações da Polícia Federal relacionadas ao caso Banco Master. Em 4 de setembro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, manteve medidas cautelares contra o secretário, incluindo a suspensão do passaporte, impedimento de deixar o Brasil e proibição de emissão de novo documento. A investigação não representa condenação, e Sodré permanece oficialmente à frente da Secretaria do Meio Ambiente.
Geddel Vieira Lima completa esse quadro pelo peso que continua exercendo no MDB e nas articulações da base governista. O ex-ministro foi condenado pelo STF por lavagem de dinheiro no processo dos cerca de R$ 51 milhões encontrados em malas e caixas em um apartamento de Salvador; em 2022, recebeu liberdade condicional. Em 2026, Geddel continuou participando de reuniões do conselho político da base de Jerônimo e defendendo publicamente o apoio do MDB ao governador. Ele não é o coordenador-geral da campanha, função atribuída a Adolpho Loyola, mas segue presente nas articulações partidárias e políticas da aliança. A sucessão de casos dá aos adversários material para questionar politicamente o entorno do governador, enquanto cabe distinguir condenações já existentes de prisões preventivas e investigações ainda sem julgamento definitivo.
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