Uma festa com contações de histórias afro e distribuição gratuita de bonecas e bonecos pretos tomaram conta da Escola Municipal Gersino Coelho, no bairro do Doron, na tarde desta quarta-feira (13). As 150 crianças da Educação Infantil participaram do evento “Eu brinco, eu existo! ” De forma lúdica, o ateliê de brinquedos Amora, em parceria com a Prefeitura, deu largada em uma série de eventos com o objetivo de estimular a promoção e a igualdade racial. Outras 11 escolas públicas de Salvador serão beneficiadas com as ações, alcançando um total de duas mil crianças da primeira infância à adolescência.
As ações visam a divulgação de práticas de promoção de igualdade racial, estimulando e divulgando a estética e a cultura afro, a diversidade étnica e os ensinamentos da história africana. Sentados no chão, formando um grande círculo, as crianças de 4,5 e 6 anos assistiam atentamente as explicações da Amora, uma boneca humanizada, interpretada por uma das contadoras de histórias do projeto. Depois de cumprimentar a criançada, Amora perguntou se algum deles tinha em casa um boneco ou boneca que fosse parecido consigo mesmo. As crianças, em um só coro, responderam que “não”.
A pequena Kailane Kelly da Silva, de 6 anos, foi uma das exceções. “Tenho sim, uma bebê da minha cor. Até parece minha filha”, comentou a pequenina, arrancando sorrisos dos colegas. Para a diretora da escola, Kátia Silva, o uso da ferramenta lúdica é uma das melhores de formas de fazer as crianças obterem o entendimento de muitos conceitos importantes. “São as bonecas que vão ensinar sobre a representatividade, sobre a importância da igualdade racial”, frisou.
Além da contação de histórias, dez bonecos e bonecas pretas foram distribuídas. Os brinquedos afirmativos serão usados pelos educadores para que possam trabalhar durante todo o ano letivo com diversas turmas promovendo e estimulando a igualdade racial. A idealizadora do Ateliê Amora – Brinquedos Afirmativos, a designer Geórgia Nunes, explica que a ideia surgiu a partir de uma pesquisa que a fez constatar que as bonecas e bonecos pretos ocupam apenas 3% das prateleiras de lojas de brinquedos. “Não faz sentido, se temos 57% da população declarada pelo IBGE como negra ou afrodescendente. Então, entendi que são esses brinquedos que vão fazer a diferença na vida e autoestima dessas crianças”, afirmou.
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