Arte TVS1
A AtlasIntel merece respeito. Acertou a vitória de Jerônimo Rodrigues em 2022 quando boa parte do mercado ainda enxergava ACM Neto como favorito, e acertou também o favoritismo de Bruno Reis em Salvador em 2024. Isso não é pouca coisa.
Mas experiência real de eleição ensina justamente o contrário da bravata: pesquisa séria não é sentença, e método não é detalhe de rodapé.
Na Bahia, houve outras leituras que também apontaram corretamente o rumo das urnas:
No segundo turno de 2022, o Ipec, com entrevistas presenciais, mostrava Jerônimo à frente por 52% a 48% dos votos válidos. A urna confirmou 52,54% a 47,46%.
Em Salvador, a Quaest registrou Bruno Reis com 74% em setembro de 2024, enquanto a Futura apontou 70,6%. O resultado foi ainda maior, 78,67%, mas as duas pesquisas acertaram o essencial: a reeleição de Bruno no primeiro turno e uma vantagem colossal.
É assim que profissional sério lê pesquisa: compara tendências, método, data de coleta, margem, histórico e, principalmente, o que acontece fora da tela do celular.
A Atlas trabalha com recrutamento digital aleatório. O eleitor é alcançado enquanto navega na internet, recebe o convite e decide responder. Não é pesquisa na rua, na feira, no baba, no brega, na porta de casa ou por ligação telefônica. É uma amostra digital, calibrada pelo instituto por sexo, idade, renda, escolaridade, região e comportamento eleitoral anterior.
A Atlas diz usar geolocalização, tokens únicos, bloqueio de respostas repetidas e descarte de submissões via VPN. São controles relevantes, sim. Mas não transformam IP em comprovante de residência, nem fazem da participação online uma cópia perfeita do eleitorado baiano inteiro.
IP identifica uma conexão, não uma certidão eleitoral. A geolocalização digital pode ser afetada por provedores, redes corporativas, conexão móvel e outros fatores técnicos. VPN pode mascarar origem, e a própria Atlas afirma bloquear esse tipo de acesso. O ponto não é acusar fraude, porque não há prova disso. O ponto é metodológico: o instituto controla o que consegue controlar, mas o universo de quem viu o convite, tinha internet, tempo, disposição e respondeu continua diferente do universo de uma pesquisa presencial ou telefônica.
Quem entende de estratégia sabe que o viés não precisa ser maldade para existir.
Portanto, Andrei, acertar 2022 e 2024 credencia a Atlas a ser ouvida com atenção. Não credencia ninguém a usar uma única rodada digital como decreto de vitória ou atestado de derrota.
A pesquisa mostra ACM Neto numericamente à frente e uma disputa aberta. O resto é guerra de narrativa. E eleição na Bahia não se ganha no banner, no IP ou na bravata: se ganha com voto depositado na urna.
Boboca que confunde pesquisa com resultado costuma descobrir a diferença tarde demais.
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