Antonio Queirós
O apoio do presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), a ACM Neto (União Brasil) movimentou a disputa pelo Governo da Bahia e provocou reações dos dois principais grupos políticos do estado. Depois de caminhar com Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição de 2022, Muniz mudou de lado e subiu no palanque do ex-prefeito na noite de terça-feira (4), durante uma edição do programa “Sua Voz é Nossa Voz”, realizada no Subúrbio Ferroviário de Salvador.
Jerônimo comentou a baixa nesta quarta-feira (5) e tentou reduzir o peso político da decisão. O governador afirmou que não pressionou Muniz para repetir o apoio de quatro anos atrás e disse manter consideração pelo vereador.
“Muniz é quem tomou a decisão. Em momento algum houve pressão sobre ele de nossa parte. Temos o Muniz como amigo, fez a minha campanha, me ajudou na campanha de 2022”.
Ao anunciar a escolha, Muniz afirmou que ouviu o grupo político que o acompanha há cerca de 20 anos e prometeu participar ativamente da campanha de ACM Neto.
O presidente da Câmara também declarou apoio às candidaturas de João Roma (PL) e Angelo Coronel (PSD) ao Senado. A adesão tem peso especial porque parte de uma liderança que esteve com Jerônimo em 2022 e agora retorna ao campo político comandado por ACM Neto e pelo prefeito Bruno Reis.
Bruno Reis negou que o apoio tenha sido condicionado a qualquer negociação, em meio aos rumores de bastidores sobre o interesse de Muniz em permanecer na Presidência da Câmara.
“Não houve nenhum acordo, não houve nenhuma exigência. Nossa relação não está pautada por negociações”.
O prefeito sustentou que a decisão passou pela necessidade de Salvador ter um governador aliado e acrescentou que ACM Neto seria a melhor opção para enfrentar a violência.
“Principalmente para resolver o problema da segurança, que hoje infelizmente é o maior problema da cidade”.
O movimento aumenta a pressão sobre Jerônimo justamente em Salvador, maior colégio eleitoral da Bahia e principal reduto da oposição. Bruno também afirmou que as críticas recentes do presidente Lula à administração da capital revelam preocupação com o desempenho de ACM Neto na cidade. Segundo o prefeito, se o candidato do União Brasil repetir ou ampliar a votação obtida em Salvador em 2022, “a eleição está perdida” para o grupo petista.
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