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A Bahia pode voltar a ter as micaretas como um dos principais instrumentos de promoção do turismo, da cultura e da economia do estado. Essa é a proposta do Circuito de Micaretas da Bahia, projeto idealizado por Gegê Magalhães, que prevê a criação de um calendário integrado de festas em diferentes municípios e destinos turísticos baianos ao longo do ano.
A iniciativa parte de uma característica histórica do estado: a Bahia foi berço das micaretas e, durante décadas, os carnavais fora de época ajudaram a projetar artistas, ritmos e cidades baianas para todo o país. A proposta é resgatar essa tradição sob uma perspectiva contemporânea, transformando as micaretas em um produto turístico planejado e permanente.
Um dos principais pilares do projeto é a valorização da música produzida na Bahia. A programação das festas que integrarem o circuito deverá priorizar artistas baianos de diferentes gêneros e gerações, contemplando nomes de projeção nacional, artistas regionais e novos talentos. Axé, pagode, samba, arrocha, forró, reggae e outras manifestações musicais produzidas no estado poderão compor as programações.
Mais do que grandes shows, a proposta considera cada micareta como um vetor de movimentação econômica para os municípios. A realização de um evento desse porte impacta diretamente setores como hotelaria, bares e restaurantes, transporte, comércio, produção cultural, ambulantes e serviços, além de gerar trabalho para músicos, técnicos, cordeiros, profissionais de segurança e diversos outros trabalhadores envolvidos na cadeia de eventos.
Calendário integrado – O projeto prevê que as micaretas sejam distribuídas estrategicamente ao longo do ano, prioritariamente em municípios e destinos turísticos, com atenção especial aos períodos de menor movimento. A ideia é utilizar os eventos também como uma ferramenta de combate à sazonalidade turística, criando novos motivos para que visitantes conheçam diferentes regiões da Bahia fora dos períodos tradicionalmente mais concorridos.
A construção de um calendário estadual permitiria ainda maior previsibilidade para o público e para o setor turístico. Com as datas divulgadas antecipadamente, visitantes de outras cidades e estados poderiam planejar suas viagens de acordo com a programação, criando uma espécie de rota de micaretas pela Bahia.
“A ideia é fazer com que a micareta deixe de ser apenas uma festa pontual e passe a ser pensada como um produto turístico, cultural e econômico. A Bahia tem artistas, música, cidades e tradição suficientes para construir um calendário capaz de movimentar diferentes regiões durante todo o ano”, destaca Gegê Magalhães.
Modelo de financiamento – A proposta prevê a possibilidade de reunir diferentes fontes de recursos para viabilizar as festas, incluindo instrumentos previstos na legislação, emendas parlamentares, participação dos municípios, programas estaduais e federais e investimentos da iniciativa privada, respeitando as regras específicas aplicáveis a cada modalidade de financiamento.
A perspectiva é que o circuito seja construído de forma progressiva, ampliando o número de municípios participantes e consolidando, ao longo do tempo, um dos maiores calendários integrados de micaretas do país.
Para Gegê Magalhães, a iniciativa também representa uma oportunidade de fortalecer uma cadeia produtiva que vai muito além do palco.
“Micareta gera cultura, gera turismo, gera emprego e gera renda. E quando a música da Bahia circula pela própria Bahia, quem produz, quem trabalha e quem empreende no nosso estado também ganha”, afirma.
A proposta do Circuito de Micaretas da Bahia é, portanto, transformar uma tradição que marcou a história cultural do estado em uma estratégia permanente de desenvolvimento, conectando música, turismo, geração de renda e valorização da produção artística baiana.
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