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Crianças são principais vítimas de picada de lagartas venenosas; saiba como tratar

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Em um ano com muitas chuvas, tem aumentado também o número de acidentes envolvendo lagartas peçonhentas em todo o Brasil. E as crianças formam um público que exige ainda mais cuidado. Segundo um boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, dos 26.941 acidentes com lagartas registrados no Brasil entre os anos de 2019 e 2023, cerca de 20% tiveram crianças de até 9 anos como vítimas.

Para Sâmia Neves, professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Salvador (UNIFACS), o aumento no número de acidentes com lagartas venenosas está associado a alguns fatores, como calor e chuvas, pois aumentam a abundância desses animais, assim como maior proximidade dos humanos com elas, seja por causa de poda, jardinagem ou trilhas. “As modificações ambientais, como o desmatamento e a expansão urbana em áreas de muitas árvores, aproximam as colônias de lagartas às pessoas”, complementa.

A especialista alerta que, no Brasil, o maior pico de acidentes envolvendo as lagartas acontece durante o verão, devido ao calor e à umidade. Já no Nordeste, os dados mais recentes apontam para o mês de maio como pico de acidentes, possivelmente associado ao regime de chuvas regional.

Na Bahia, as lagartas consideradas urticantes mais frequentes são as do gênero Automeris spp. (conhecidas como “olho-de-pavão”), que possuem cerdas urticantes e podem causar dor ou queimação local e reação cutânea. Há também a Megalopyge lanata (lagarta-de-fogo), cujo contato com seus pelos causa dor intensa e inflamação local, mas com menor gravidade sistêmica. Em menor número, há a presença da lagarta do gênero Lonomia spp., que são mais perigosas e podem causar distúrbio de coagulação, hemorragia e, consequentemente, morte.

Cuidados após acidente – Apesar do número de lagarta do gênero Lonomia não ser tão expressivo na Bahia, é importante todo cuidado em caso de picadas com qualquer tipo de animal que possua peçonha. “Nas lagartas urticantes, o quadro costuma ser local e autolimitado, mas muito doloroso para o paciente. Já acidentes com a Lonomia devem ser tratados rapidamente com o soro antilonômico, disponível gratuitamente no SUS”, conta a professora da UNIFACS, que integra o ecossistema Ânima.

Em caso de contato com esses animais, é importante ficar atento aos sintomas mais comuns, que são dor ou queimação imediata, vermelhidão, edema e, às vezes, náuseas e mal-estar. Acidentes com a Lonomia costumam provocar uma dor discreta e, algumas horas depois, evoluir para distúrbios de coagulação e sangramentos (como na urina ou gengiva, por exemplo), necessitando de intervenção médica imediata.

Em caso de acidentes com lagartas, algumas medidas de tratamento importantes incluem:

Retirar roupas e acessórios que comprimam a área, caso haja inchaço;

Não friccionar, nem usar torniquetes;

Evitar o uso de anti-inflamatório sem recomendação médica (em caso de Lonomia, pode haver risco de sangramento);

Lavar o local com água fria e sabão e realizar compressas frias. Em hipótese alguma aplicar substâncias, como álcool, café e ervas;

Procurar uma unidade de saúde e, se possível, levar a lagarta (com segurança, em recipiente ventilado) ou foto dela, para a identificação do gênero.



Soro antilonômico e prevenção – Dados do Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde mostram que o Nordeste é a segunda região com maior notificação de acidentes envolvendo a Lonomia, com um total de 746 entre os anos de 2019 e 2023. Um dos perigos desse tipo de lagarta é que elas costumam viver aglomeradas em árvores e a sua coloração se confunde com o tronco, dificultando a sua identificação.

No Brasil, o soro antilonômico é produzido pelo Butantan e disponibilizado pelo SUS desde 1996, sendo a única forma de antiveneno para os efeitos da peçonha da Lonomia. O soro deve ser administrado rapidamente, de acordo com a gravidade.

Em relação à prevenção de acidentes, Sâmia Neves alerta: “é importante usar luvas e camisas compridas em poda ou jardinagem; evitar apoiar mãos em troncos; orientar crianças a não tocar em lagartas peludinhas; e acionar o controle de zoonoses se houver muitas lagartas em árvores de uso público”.





Clara

Estudante de Letras, Clara Paixão auxiliou diversos autores conservadores em Recife e Carpina (PE). Amante da Liberdade, Clara entende que são preceitos básicos: direito irrestrito ao projeto de vida do próximo, direito à propriedade privada e livre mercado.

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