Entenda como chinesas BYD e JinJiang estão ligadas a megaoperação de trabalho escravo na Bahia

Matheus Landim GOVBa

O resgate de 163 trabalhadores chineses em Camaçari (BA) revelou uma realidade que vai além dos muros da obra da BYD. Segundo o Ministério Público do Trabalho, esses homens foram vítimas de tráfico internacional e estavam submetidos a condições análogas à escravidão. Contratados pela terceirizada JinJiang, os trabalhadores viviam em alojamentos que beiravam o inabitável: camas sem colchões, itens pessoais misturados a alimentos, e banheiros precários divididos por dezenas de pessoas.

Era uma realidade de humilhação e negligência.

Reprodução X

A rotina de trabalho, segundo os relatos, era exaustiva. As jornadas chegavam a 10 horas diárias sob o sol, sem proteção adequada. Em meio a isso, surgem histórias de acidentes como o de um trabalhador que sofreu uma lesão ocular sem atendimento médico adequado. Outra denúncia aponta que a privação de sono, causada pelas condições degradantes, contribuiu para um acidente.

Além disso, os salários eram retidos, os passaportes confiscados, e qualquer tentativa de rescindir o contrato resultava em multas pesadas.



A empresa JinJiang, responsável pela “contratação”, já carrega um histórico preocupante. De 2018 a 2022, foi obrigada a indenizar trabalhadores em diversos casos de acidentes na China. Mesmo assim, continua expandindo suas operações em parceria com a BYD, gigante de veículos elétricos, que alega ser vítima de uma “campanha de difamação” e atribui os casos a “mal-entendidos culturais”. No entanto, as condições encontradas em Camaçari espelham denúncias de violações em obras da BYD no próprio território chinês.

Esse caso escancara uma prática que afronta as leis trabalhistas brasileiras, como a Norma Regulamentadora 24 (NR-24) e a CLT, que deixam claro o que é considerado violação de direitos. A precarização das condições de trabalho não é apenas um ataque à dignidade humana, mas também uma mancha na imagem de empresas que insistem em normalizar abusos.



Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

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