ASCOM SSP Bahia
Escolas fechadas, ensino e trabalho remotos, distanciamento físico, estar em constante alerta. A pandemia de Covid-19 mexeu com a rotina das pessoas em níveis mundiais e, lidar com essa situação complexa, tem se mostrado de forma ainda mais densa para crianças e adolescentes. As consequências podem ser desatenção, distúrbio do sono, dependência excessiva dos pais, dentre outras situações, conforme estudo recente.
De acordo com a especialista em Psicoterapia Analítica, Psicopedagogia e Pedagogia Organizacional, Leonor Guimarães, essa crise ocorre por conta da quebra de uma aparente normalidade.
“Isolamento, desemprego, medo. Todos esses fatores, entre outros, impactaram na criança, direta ou indiretamente. O afastamento das escolas e dos grupos sociais privou a maioria delas da socialização, fator importante para o desenvolvimento, a aprendizagem de comportamentos e para o desenvolvimento de habilidades nas relações, o que produz ansiedade e medo da realidade”, avalia a psicóloga e professora da UNIFACS.
Do ponto de vista psicopedagógico, a professora explica que a falta de interação física pode afetar o desenvolvimento motor, as habilidades necessárias para as interações sociais e, principalmente, a troca de conhecimento e informações que existe quando a criança brinca, interage e se relaciona com outras. Para ela, a integração digital é um mecanismo paliativo interessante, mas não pode ser a única forma de interação.
Ela afirma que informações sobre a Covid-19, as quais direta ou indiretamente a criança teve acesso, também produzem ansiedade e depressão, principalmente pela busca de compreensão da realidade. Além disso, a ansiedade do adulto é percebida pela criança que, consequentemente, se sente insegura. Por isso, conforme Leonor Guimarães, é indispensável garantir à criança espaços seguros para o diálogo, permitindo que elas possam se expressar e perceber atenção e cuidado da família.
O luto e as crianças – Como o luto, a percepção da morte ou até a perda direta impactam a criança, a psicóloga diz ser necessário que os adultos e cuidadores estejam prontos a acolher e respeitar seu sofrimento, transmitindo segurança e acolhimento através de explicações e respostas às suas perguntas. No Brasil, o coronavírus interrompeu a vida de mais de 570 mil pessoas, até o momento. Sendo assim, a professora Leonor recomenda que os adultos estejam mais próximos, observando as mudanças no comportamento das crianças, oferecendo acolhimento e apoio. Importante também oportunizar momentos de brincadeira, lazer, trocas e interações.
“Manter um ambiente saudável, com cuidado e proteção, sem violência, garante um desenvolvimento mais adequado para a criança”.
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