A decisão do governo de Donald Trump de tratar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras abriu uma crise que já saiu da área policial e chegou ao coração da economia brasileira. A medida, anunciada por Marco Rubio e em vigor desde 5 de junho, fez empresas brasileiras correrem para revisar clientes, fornecedores, prestadores de serviço e parceiros comerciais com medo de punições dos Estados Unidos.
O recado é pesado: quem tiver relação direta ou indireta com facções pode enfrentar bloqueio de bens, restrições bancárias, sanções e perda de acesso a negócios internacionais.
O que assusta empresários e advogados é que as regras americanas contra terrorismo são amplas e podem atingir até empresas que aleguem desconhecer quem estava por trás de determinada cadeia de negócios.
Setores como combustíveis, logística, imóveis, ouro, apostas, fintechs, bancos e corretoras entraram no radar porque já aparecem em investigações brasileiras como áreas vulneráveis à lavagem de dinheiro do crime organizado.
Na prática, o Brasil pode começar a pagar mais caro para comprar, vender, financiar, importar, exportar e atrair investimento simplesmente porque o risco de facção virou risco de mercado.
E é aí que a Bahia governada pelo PT entra no meio da conversa. Não há, nos dados apresentados, uma prova de que empresas baianas estejam ligadas diretamente ao Primeiro Comando da Capital ou ao Comando Vermelho, mas existe um fato político impossível de esconder: depois de quase duas décadas de governos petistas, com Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, a Bahia virou símbolo nacional da violência.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 colocou o estado com uma das maiores taxas de mortes violentas do país em 2024, e o Atlas da Violência 2026 apontou Salvador como a capital brasileira com maior taxa estimada de homicídios, além de registrar seis cidades baianas entre as dez mais violentas do Brasil com mais de 100 mil habitantes.
A consequência é cruel para o baiano comum: quando facção domina território, o trabalhador perde paz, o comércio fecha mais cedo, o transporte vira risco, a escola suspende aula e a empresa pensa duas vezes antes de investir.
O enquadramento feito pelos Estados Unidos não nasceu por causa da Bahia, mas joga luz sobre um problema que o governo de Jerônimo Rodrigues insiste em tratar com discurso, enquanto a população vive com medo. Se o Brasil agora corre para limpar suas cadeias de negócios, a Bahia precisa encarar uma pergunta ainda mais incômoda: quanto custou ao povo baiano deixar o crime organizado crescer enquanto o PT dizia que estava tudo sob controle?
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