Tânia Regos / Agência Brasil
A visita de Lula e Janja à Favela do Moinho escancarou uma conexão que o governo tenta esconder: a articulação com uma entidade apontada pelo Ministério Público de São Paulo como ligada ao PCC. A Associação da Comunidade do Moinho, onde o presidente foi recebido, já teve drogas apreendidas em sua sede e é presidida pela irmã de um dos chefes do tráfico local, condenado por homicídio.
Mesmo diante disso, o ministro Márcio Macêdo esteve no local dois dias antes para preparar o evento, que contou com apoio de parlamentares do PT e PSOL. “O diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com inclusão social”, alegou o Planalto.
O terreno pertence à União e será transformado em parque após a saída de 900 famílias, num acordo de até R$ 250 mil por morador, sendo R$ 180 mil pagos pelo governo federal. Moradores relataram ao MP que foram ameaçados por traficantes para aceitarem a mudança. A segurança da visita foi tratada como “rigorosa”, embora a comitiva tenha entrado num território que, segundo o próprio MP, é controlado por um braço do crime organizado.
O discurso do governo diz que “associações locais são formadas e escolhidas pelos próprios moradores”, mas o endereço da ONG, na Rua Doutor Elias Chaves, também é conhecido por ser ponto de apreensão de cocaína, crack e maconha.
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