Max Haack SECOM
Antes de tocar os pés no mar é bom levar no corpo alguma proteção: uma oração pedindo a Iemanjá, Oxum e Xangô que dê andamento aos desejos e faça com que os inimigos não te alcancem. O ritual, acompanhado de batida de folhas, pó de pemba, arroz, sementes de girassol e milho branco – tudo bem regado a essência com cheiro de lavanda e jasmim – é o conselho é da Ialorixá Renata de Jesus.
Desde a madrugada, dispostas em estandes espalhados pela praia, pelo menos 50 outras mães de santo cuidam igualmente dos fiéis e curiosos que circulam pelo bairro do Rio Vermelho, durante a festa em louvor à Rainha do Mar, neste 2 de fevereiro, quando as águas calmas e areias quentes das praias do bairro recebem milhares de pessoas. Normalmente trajados de azul e branco – embora não exista regra para a expressão da fé -, eles vão munidos de devoção e presentes.
Ritual – É partindo dessa devoção, tanto à orixá, que representa a maternidade e a fertilidade feminina, quanto ao mar, companheiro de todas as horas, que a artista plástica carioca Uceli Cardoso e o baiano Raimundo Nonato – o mestre de capoeira Tico Camaleão -, ambos surfistas, participam há mais de três décadas de uma tradição alternativa durante o dia de homenagem a Iemanjá.
Na companhia de outros 40 surfistas, a dupla comanda um ritual de pura espiritualidade, envolvendo o estilo de vida que escolheram – com o surf no centro das ações – e a fé contida no entorno da atividade. Todo dia 2 de fevereiro, antes do amanhecer, a comitiva deixa a Praia da Paciência rumo à Colônia de Pescadores. À frente, um pranchão carrega um balaio ornado com as cores de Iemanjá. Em seu interior, estão perfumes, flores, espelhos e frutas, como é comum à tradição da deusa.
“Após a entrega do presente, nos reunimos na areia, dispomos as pranchas em círculo e oramos, pedimos proteção e agradecemos por mais uma alvorada. No final todos aplaudem e fazem seus rituais particulares em reverência à Rainha”, descreve Tico Camaleão, 60, que é morador de Itapuã, mas frequentador da Festa de Iemanjá desde a infância. Baiana por opção, Uceli Cardoso, 62 anos, completa a fala do companheiro de mar e fé. “É uma honra poder entrar no mar todos os dias, sob as bênçãos de Iemanjá. A representatividade da mulher, a força, a tradição, todo o contexto envolvendo Iemanjá é de grande importância para quem tem amor, fé e devoção pelo mar”, diz emocionada.
Eterno retorno – No Rio Vermelho, a fertilidade – e até mesmo a sensualidade – presente na tradição de Iemanjá é posta à prova desde o nascer do sol até o poente, conforme explica a surfista. “Uma das cenas mais lindas que já presenciei nestas águas aconteceu há uns dez anos. Durante a travessia de pranchas, percebemos que um dos pequenos barcos que carregavam presentes estava um pouco distante e alguns de nós paramos para ver o motivo. Chegando um pouco mais perto percebemos que havia um casal em intimidade. Bem desinibidos, eles não se incomodaram com nossa presença e prosseguiram com seu ritual particular. Afinal, o amor também é um presente”, conclui.
A tradição familiar é o que faz a dona de casa Jaqueline Santos, 32, e a filha, Leandra, de oito anos, vestirem o azul de Iemanjá todo dia 2 de fevereiro. Elas herdaram a devoção da mãe de Jaqueline, a Ialorixá Suzana Santos, 63, que, em contraste com as duas figuras femininas ao seu lado, veste branco, “para pedir paz”. “Temos muito a agradecer à Rainha do Mar. Agradecemos pela saúde e força para viver e trabalhar. Minha mãe é filha de Iemanjá e nós seguimos a tradição de devotar a vida à Grande Mãe”, confessa Jaqueline.
Presentes – Com o azul predominante, os presentes destinados a Iemanjá tomam conta não só do caramanchão erguido em frente à praia, na Colônia de Pescadores, mas se arrastam numa fila que segue desde a estrutura até a Igreja de Santana.
Tranquilos mesmo sob condições desafiadoras propostas pelo sol, fiéis de todos os cantos seguiam o ritual de todo ano, carregando de pequenos cestos a balaios que só se permitiam sustentar por, no mínimo, uma trinca de homens fortes. Os mais discretos apostavam na trinca composta por flores, espelho e alfazema. Outros, com viés artístico, apresentavam barcos, pequenas representações de caravelas, saveiros e modernos navios de cruzeiros. Em comum todos traziam os três presentes característicos, as cores e a efígie da deusa, sempre na proa das microembarcações, como se lhe pedissem algum senso de direção.
Fonte: Secom/PMS
O candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou neste sábado (1º), em…
Há vídeos que duram poucos segundos, mas resumem um mandato inteiro. Na minha avaliação, este…
Salvador segue ampliando sua presença no cenário internacional do turismo. A capital baiana registrou crescimento…
Após ultrapassar 18 mil atendimentos na capital baiana, o Viver Salvador nos Bairros chega à…
Moradores de São Cristóvão fecharam trecho da Avenida Paralela e cobraram justiça pela morte de…
O candidato a governador da Bahia ACM Neto (União Brasil) destacou, nesta sexta-feira (31), a…
This website uses cookies.