IA / Montagem TVS1
O senador Flávio Bolsonaro revelou detalhes de sua saída do Brasil em uma entrevista de 75 minutos ao jornal americano The New York Times, concedida em Miami, na quarta-feira (4). Após deixar o país em meio a investigações e a uma determinação para entregar seus passaportes, o parlamentar afirmou que organizou sozinho a viagem que passou pela América do Sul antes de chegar aos Estados Unidos.
Questionado sobre a operação, respondeu: “Fui eu quem fez tudo”. Em seguida, lançou uma declaração que chamou a atenção: “Como cheguei aqui, levarei esse segredo para o túmulo.”
A reportagem apresenta uma versão diferente sobre os bastidores da viagem. Segundo autoridades dos Estados Unidos ouvidas pelo jornal, o avião particular que transportou Flávio até Miami teria sido providenciado por um funcionário da Casa Branca, enquanto sua entrada no território americano teria recebido autorização direta do presidente Donald Trump. O trajeto também incluiu passagens pelo Equador e pela Argentina, onde um dos principais assessores do presidente Javier Milei teria encontrado o brasileiro em um aeroporto.
Flávio, entretanto, negou qualquer participação de governos estrangeiros.
“Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, declarou, admitindo apenas que poderia ter recebido manifestações de incentivo.
O senador também descreveu uma conversa reservada com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pouco antes de deixar o país.
Segundo seu relato, Jair estava emocionado quando o chamou para conversar e perguntou: “Você já sabe aonde eles querem chegar com isso, não sabe?” Flávio respondeu: “Pai, eu já sei. E estou preparado, sei o que tenho que fazer.”
O parlamentar afirmou que decidiu sair do Brasil após receber a determinação de entregar seus passaportes, por acreditar que poderia acabar preso. “Eu já sei que o resultado final será minha prisão”, declarou ao jornal, ao criticar a atuação do Judiciário brasileiro.
Na entrevista, Flávio também voltou a questionar o resultado da eleição presidencial de outubro, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva. O senador afirmou considerar sua derrota “matematicamente impossível” e criticou decisões da Justiça Eleitoral, incluindo a ampliação do horário de votação em determinadas localidades.
Mesmo distante do Brasil, Flávio afirmou que pretende continuar participando do debate político nacional e apoiar aliados que defendem propostas como a redução da maioridade penal e a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ele também agradeceu a Donald Trump pela autorização para permanecer nos Estados Unidos e afirmou que o presidente americano “não tomou partido, o que é a coisa certa a fazer”, ao comentar a posição de Washington sobre a eleição brasileira.
Questionado sobre eventuais articulações para novas medidas americanas contra o Brasil, o senador evitou responder diretamente. Sua família recebeu autorização migratória para permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, conforme relatou o jornal.
Ao abordar o futuro, Flávio reconheceu que ainda não sabe onde estabelecerá residência definitiva com a esposa e as duas filhas. Seu irmão Eduardo já vive nos Estados Unidos, enquanto aliados da família defendem a Flórida como possível base para a continuidade das atividades políticas.
Apesar da distância e das dificuldades jurídicas que descreveu, o senador não descartou disputar novamente a Presidência da República.
“Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.
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