Crédito: Marina Silva/ Arquivo CORREIO O empresário Guilherme Bellintani tornou-se mais conhecido do público, especialmente em Salvador, após passar por três secretarias na gestão do atual prefeito da capital baiana, ACM Neto. Diz que a inquietude é uma marca que o faz aceitar diferentes desafios, como agora tentar o cargo de presidente do Bahia.
Na época da faculdade, chegou a cursar por três anos jornalismo na Ufba, mas acabou se formando em direito na Católica. Foi lá que, aos 20 anos, montou o curso Podium, que posteriormente se expandiu para a editora de livros jurídicos Juspodium, além de também fundar a Faculdade Baiana de Direito.
“Quando vou me hospedar em um hotel, coloco ‘empresário’. É a profissão em que me encontrei de fato. Meu DNA é de empreendedor, de transformação. A gestão pública foi pra mim o que se chama na academia de período sabático. Queria aprender outros mecanismos. Tive a experiência de administrar enormes orçamentos, que eu nunca teria na iniciativa privada. Mas já estava inclusive programada a minha saída da prefeitura para voltar para a área empresarial no início de 2018”.
Desistência de Sant’Ana
Os planos acabaram mudando com a desistência do presidente do Bahia, Marcelo Sant’Ana, de concorrer à reeleição. O grupo da situação do Esquadrão decidiu, após algumas reuniões, indicar o nome de Bellintani para a eleição. O que surpreendeu parte dos colegas do ex-secretário municipal.
“Dentro da gestão municipal, havia uma percepção de perplexidade. Como Guilherme, o cara que veio aqui e deu conta do recado por cinco anos, vai agora sair para concorrer a um projeto absolutamente diferente? Só compreende essa decisão quem é envolvido com o público. Foi a decisão mais importante de minha vida”.
Guilherme afirma que a frase dita por uma tia sua, psicóloga, após a morte do seu pai, quando Guilherme tinha apenas quatro anos, acabou virando um lema para assumir desafios em sua vida.
“Havia uma dúvida na minha família se deveriam levar a mim e minha irmã ao velório do meu pai. Minha tia então disse a eles: ‘o desconhecido é sempre mais assustador do que o conhecido’. Não comparando com essa terrível tragédia da morte de meu pai, mas penso que se eu não aceitasse esse desafio de concorrer à presidência do Bahia, talvez passasse a vida inteira pensando como seria se eu tivesse aceitado. Eu gosto de enfrentar desafios, nunca fugi disso”.
Bellintani não vê problemas em se assumir como um ‘workaholic’. Afirma que uma de suas principais características é se debruçar e estudar muito todos os novos desafios que precisa enfrentar.
“Um professor meu dizia: ‘Você não precisa saber muito sobre uma coisa. Você precisa saber onde está a informação’. Uma característica marcante da minha vida profissional é ser capaz de estudar muito um tema e ser capaz de trazer um viés prático para a gestão”.
Por isso, Bellintani não encara como problema não ser uma pessoa essencialmente do futebol e concorrer ao cargo de presidente do Esquadrão.
“Sempre peço para que as pessoas me apresentem apenas um caso de um boleiro que foi bem sucedido na gestão do futebol moderno. O perfil necessário para o gestor de um clube como o Bahia é um perfil híbrido. Que entenda muito a lógica empresarial orçamentária, de profissionalização da gestão, potencialização e controle da receita. Alguém com a cabeça de empresário, mas sensível e conhecedor da história do clube e, sobretudo, da relação com o futebol. Sou torcedor de frequentar a arquibancada desde os seis anos”.
Caso eleito, Bellintani promete deixar como legado de sua gestão ao lado de Vitor Ferraz, vice de sua chapa, a sequência da reestruturação iniciada na gestão do atual presidente Marcelo Sant’Ana.
“Quero deixar a marca de um Bahia mais forte, que siga com o processo de alavancagem econômica. Temos um orçamento abaixo dos outros clubes brasileiros. Precisamos alavancar as receitas, fazer com que a gente seja menos dependente de um orçamento tão limitado. Agora, vamos ampliar as receitas não para guardar, mas para investir no futebol. Assim, vamos formar um time mais competitivo”.
PRINCIPAIS TEMAS PARA A PRÓXIMA GESTÃO TRICOLOR
Qual será o destino do Fazendão e Cidade Tricolor?
Temos dois equipamentos de manutenção muito alta. Não temos dinheiro para ficar com os dois. Então, escolhemos a Cidade Tricolor. Vamos apostar na transição integral da divisão de base e dos profissionais. Queremos fazer da Cidade Tricolor o coração das divisões de base. Vamos ter uma capilaridade em todo o Nordeste, com a maior quantidade possível de escolinhas como polos de formação de atletas, espalhadas pelo Nordeste. Lá será um centro internacional de formação de atletas. O Bahia poderá abrir mercado no exterior e não será mais ponte, que vende um atleta para um time como o Palmeiras e depois ele sai do Brasil.
Como será a sua política para a base?
A nossa divisão de base tem uma influência muito local. O jovem que está em Barreiras não vê o Bahia como um centro de formação de atletas. Não sabe nem para quem liga. A criação dessa conexão é fundamental para ampliar a rede. Foi o que a Alemanha fez. Viveram uma crise profunda no futebol e precisaram mudar o modelo. Fizeram então um ciclo de formação de atletas. A Alemanha tem 90 milhões de habitantes. O Nordeste tem 60 milhões. O Nordeste, a Bahia, não podem ser uma Alemanha? É só ter estrutura de captação. O Bahia tem condições de ser pioneiro nesse processo.
E para a venda e a contratação de jogadores?
Primeiro, vamos fazer a estabilização do elenco. Renovar com aqueles que estão agradando, além da chegada de quatro a seis jogadores, atletas jovens e rápidos. E também buscar atletas que têm uma idade um pouco mais avançada, mas que ainda tenham a perspectiva de crescimento de carreira. Não vamos trazer jogador em fim de carreira. Sobretudo, vamos trazer jogadores de 20, 21, 22 anos, no perfil de aposta, mas uma aposta bem estudada e estruturada.
Como aumentar o número de sócios do clube?
Tem o eixo dos sócios fanáticos que querem ajudar. Esses já estão no clube. Tem um segundo bloco, que tem interesse nos jogos, mas precisa ser estimulado. Temos que facilitar a adesão dele, encontrar formas de passar na frente desse torcedor, ele receber uma mensagem sendo convidado a ser sócio. E precisamos ter um clube de vantagens que incentive esse sócio. Temos o exemplo do Benfica, que tem mais de 200 mil sócios. Alguns deles sequer são torcedores do Benfica. Por que alguém que não é torcedor do Benfica vira sócio? Porque é muito vantajoso, virou um clube de compras, estruturado na sua grande massa de torcedores.
Como melhorar a parceria com a Arena Fonte Nova?
Saber primeiro o que a gente quer com a Arena. Se o Bahia não existisse, a Arena não existiria. A história do Bahia está ali. A gente quer uma operação melhor e mais rentável. Que o torcedor se sinta bem cuidado, bem ambientado. E que o estádio dê mais resultado econômico para o clube, incluindo a maior presença de torcedores que foram afastados da prática de ir ao estádio nos últimos anos pelo preço dos ingressos. O torcedor de massa, raiz, não tem dinheiro para ir a todos os jogos em um estádio no modelo Copa do Mundo. Será que nós queremos um estádio do nível e do custo de Copa do Mundo? Essa é uma grande dúvida.
Fonte: A TARDE On Line