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A crise da saúde e os baixos indicadores da educação na Bahia não podem ser explicados simplesmente colocando a responsabilidade sobre os prefeitos. Quando o Governo do Estado atribui aos municípios a culpa pela Fila da Regulação e, na educação, procura responsabilizar as prefeituras pelos baixos índices do IDEB, revela uma preocupante falta de visão estratégica e de coordenação das políticas públicas.
A Fila da Regulação é hoje um dos maiores símbolos da crise da saúde baiana. Pacientes permanecem durante dias ou semanas aguardando transferência, enquanto UPAs ficam superlotadas e famílias desesperadas buscam uma vaga hospitalar. A regulação é um sistema integrado, que exige planejamento estadual, regionalização, disponibilidade de leitos, fortalecimento dos hospitais e uma Central de Regulação eficiente e transparente.
Não é aceitável que o Governo do Estado simplesmente transfira a responsabilidade para os prefeitos. Cabe ao Estado coordenar a rede regional de saúde, garantir assistência de média e alta complexidade e assegurar que o paciente tenha acesso ao tratamento no tempo adequado.
Na educação, a situação exige a mesma reflexão. Os indicadores do IDEB são resultado de diversos fatores e dependem da atuação conjunta da União, dos Estados e dos municípios. Transferir integralmente a responsabilidade pelos baixos resultados às prefeituras é ignorar que o Governo Estadual também precisa liderar uma política educacional articulada, apoiar os municípios e estabelecer metas claras para melhorar a aprendizagem.
O problema central é a ausência de um planejamento estratégico de longo prazo para a Bahia.
Um governo que planeja precisa estabelecer prioridades, definir metas, acompanhar indicadores, corrigir erros e prestar contas à população.
Saúde e educação não podem ser administradas apenas com ações pontuais, anúncios e discursos.
Na saúde, é fundamental avançar na regionalização, fortalecer os hospitais do interior, ampliar a oferta de leitos, modernizar a Central de Regulação, utilizar tecnologia para organizar as filas e estabelecer mecanismos transparentes de acompanhamento dos pacientes.
Na educação, é necessário investir na alfabetização na idade certa, na valorização dos profissionais, na infraestrutura escolar, na formação continuada dos professores e em políticas permanentes de recuperação da aprendizagem.
Governar é assumir responsabilidades, não procurar culpados.
A Bahia precisa de um Governo do Estado que dialogue com prefeitos, médicos, professores, profissionais de saúde, gestores e sociedade civil para construir um verdadeiro planejamento estratégico de desenvolvimento humano e regional.
Enquanto o Governo Jerônimo Rodrigues e sua Secretaria de Saúde continuarem procurando responsáveis pela crise em vez de apresentar soluções estruturantes, os problemas permanecerão.
A população baiana não quer desculpas. Quer planejamento, gestão, resultados e serviços públicos funcionando.
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Dr Heraldo Rocha
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