Feito em IA - Meta IA
Inglaterra e Argentina estarão frente a frente na próxima quarta-feira (15), às 16h, no horário de Brasília, no Estádio de Atlanta, valendo uma vaga na grande final da Copa do Mundo de 2026. Será o reencontro de duas seleções que não disputam apenas partidas de futebol, mas capítulos de uma rivalidade atravessada por decisões polêmicas, conflitos políticos, provocações e alguns dos momentos mais inesquecíveis da história dos Mundiais.
De um lado, Lionel Messi tenta levar a Argentina ao segundo título consecutivo. Do outro, Jude Bellingham lidera uma Inglaterra que busca voltar à final depois de seis décadas.
O retrospecto geral aponta vantagem inglesa. Os registros históricos contabilizam 14 encontros, incluindo uma partida abandonada pela chuva em Buenos Aires, em 1953. Nos jogos concluídos, a Inglaterra conquistou seis vitórias, a Argentina venceu duas vezes e ocorreram cinco empates. Em Copas do Mundo, foram cinco confrontos: triunfos ingleses em 1962, 1966 e 2002, vitória argentina em 1986 e o empate por 2 a 2 em 1998, quando a seleção sul-americana avançou nos pênaltis. Curiosamente, as duas equipes já eliminaram a rival no caminho de um título mundial: a Inglaterra em 1966 e a Argentina em 1986.
A primeira grande ferida foi aberta em 1966, quando os ingleses sediavam a Copa e venceram a Argentina por 1 a 0 nas quartas de final, em Wembley. O capitão argentino Antonio Rattín foi expulso aos 35 minutos pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein, embora nenhum dos dois conseguisse compreender o idioma do outro. Rattín pediu um intérprete, recusou-se inicialmente a deixar o campo e precisou ser retirado após vários minutos de confusão. A Argentina também contestou o gol de Geoff Hurst, alegando impedimento. O episódio provocou tamanha desordem que ajudou a inspirar a criação dos cartões amarelo e vermelho, introduzidos na Copa de 1970.
Vinte anos depois, veio a resposta argentina. Em 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, Diego Maradona comandou a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra com dois gols que entraram para a eternidade. No primeiro, o camisa 10 utilizou a mão para superar o goleiro Peter Shilton em um lance que o próprio craque eternizou como a “Mão de Deus”. Quatro minutos depois, Maradona atravessou o campo, deixou adversários para trás e marcou aquele que seria escolhido como o “Gol do Século”. Gary Lineker ainda descontou, mas a Argentina avançou e posteriormente conquistou o Mundial do México.
Aquela partida aconteceu somente quatro anos depois da Guerra das Malvinas, conflito travado em 1982 entre Argentina e Reino Unido pelo controle das ilhas que os argentinos chamam de Malvinas e os britânicos de Falklands. Embora jogadores e treinadores tentassem separar futebol e política, o confronto foi tratado na Argentina como uma espécie de revanche simbólica. Maradona admitiria posteriormente que a vitória carregava um sentimento que ultrapassava as quatro linhas.
Para os ingleses, a mão não marcada permanece como uma das maiores injustiças da história das Copas. Para os argentinos, virou símbolo de astúcia, resistência e vingança esportiva.
A “Mão de Deus” também produziu uma consequência curiosa dentro do próprio Reino Unido. Enquanto Maradona virou vilão eterno na Inglaterra, tornou-se uma espécie de herói folclórico entre torcedores da Escócia, histórica rival dos ingleses. A Tartan Army costuma cantar “Oh, Diego Maradona, ele eliminou os ingleses”, provocação que voltou a aparecer pelas ruas e bares dos Estados Unidos durante esta Copa. Até o sucesso escocês “No Scotland, No Party”, que ganhou força novamente em 2026, utiliza a melodia de uma canção argentina dedicada a Maradona.
Para parte dos escoceses, torcer pela Argentina nesta semifinal será quase tão natural quanto apoiar a própria seleção.
Dentro de campo, o presente coloca frente a frente duas gerações. Aos 39 anos, Messi afirmou que enfrentar a Inglaterra será “especial”, não apenas por toda a história entre os países, mas porque nunca disputou uma partida contra a seleção inglesa. O capitão argentino chega à semifinal com oito gols e segue entre os principais artilheiros do torneio. Lionel Scaloni, porém, tentou esfriar o peso político da rivalidade. O treinador classificou a Inglaterra como um adversário muito difícil, comandado por um excelente técnico, mas resumiu: “É um jogo de futebol, e nada mais”.
Scaloni também deixou claro que sua Argentina está preparada para sofrer. Depois da dramática vitória por 3 a 1 sobre a Suíça na prorrogação, o treinador disse que enfrentar dificuldades faz parte do “sangue” e do “DNA” da equipe. A Argentina precisou da prorrogação em duas das três partidas do mata-mata e vem mostrando uma capacidade impressionante de continuar viva mesmo quando não joga bem. “Quando você chega a uma semifinal, precisa sofrer”, afirmou o comandante campeão mundial.
Na Inglaterra, o clima é de confiança, mas também de cobrança. Thomas Tuchel comemorou a classificação diante da Noruega, porém admitiu que não ficou satisfeito com o futebol apresentado. O alemão afirmou que a equipe cometeu muitos erros técnicos, teve sorte e precisará jogar melhor para eliminar os atuais campeões. Mesmo assim, destacou a força mental, a união e a capacidade inglesa de encontrar soluções nos momentos mais difíceis.
Jude Bellingham chega como o homem mais perigoso da Inglaterra. O meio-campista marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, incluindo o gol decisivo na prorrogação, e alcançou seis bolas na rede na competição. Após a classificação, mandou um aviso: quando o plano não funciona, a Inglaterra encontra uma maneira de vencer e está disposta a entregar tudo, seja durante 90 ou 120 minutos.
Bellingham e Harry Kane fizeram juntos 12 dos 13 gols ingleses no Mundial, mostrando exatamente onde está a principal ameaça para a defesa argentina.
Será Messi contra Bellingham, Scaloni contra Tuchel e a atual campeã mundial contra uma Inglaterra obcecada em encerrar um jejum iniciado em 1966. Não é uma guerra e não deve ser tratada como tal, mas também não será apenas mais uma partida. Quando a bola rolar em Atlanta, estarão em campo as lembranças de Rattín, Maradona, Beckham, Malvinas, da “Mão de Deus” e de uma rivalidade que atravessou gerações.
O vencedor estará na final. O derrotado carregará mais uma cicatriz em uma história que o futebol nunca conseguiu apagar.
A Prefeitura de Lauro de Freitas, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), em…
A Coordenadoria de Salvamento Marítimo de Salvador (Salvamar), vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública…
Luisa Stefani fez história neste domingo (12), mas o tão sonhado título de Wimbledon acabou…
A Prefeitura de Lauro de Freitas, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços…
O prefeito Bruno Reis anunciou, nesta quinta-feira (9), a publicação do edital do novo concurso…
A Argentina está mais uma vez entre as quatro melhores seleções do mundo. Em um…
This website uses cookies.