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O apartamento de alto padrão no Horto Florestal virou um dos pontos mais delicados da defesa de Jaques Wagner após a nona fase da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, o imóvel citado fica no empreendimento Poème Horto, em Salvador, e é avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões.
De acordo com o Poder360, a unidade fica no 17º andar, tem aproximadamente 203 m², quatro suítes, e está localizada em um dos bairros mais valorizados da capital baiana.
Na entrevista à Band Bahia, Wagner confirmou o interesse no apartamento, mas negou irregularidade. Ele disse que “tinha interesse de dar um apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse” e explicou que, por se tratar de um imóvel ainda em construção, teria feito uma proposta a Augusto Lima, o Guga Lima: “Você pode comprar, depois eu vou recomprar”.
O senador afirmou ainda que precisaria vender o apartamento da filha para complementar o pagamento ou fazer um financiamento, e sustentou: “Não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim”.
É justamente essa explicação que abre a principal pergunta política do caso. Se o imóvel estava na planta, por que um senador da República, com salário parlamentar acima de R$ 40 mil, patrimônio declarado e acesso normal ao sistema bancário, recorreria a um empresário para comprar a unidade e só depois recomprar?
A dúvida cresce porque a investigação também cita dinheiro em espécie apreendido em endereços ligados ao senador, enquanto a defesa afirma que os valores têm origem em diárias oficiais e compra regular de moeda estrangeira.
Wagner insiste que não tem negócios com o Banco Master nem com o CredCesta e que sua relação com Daniel Vorcaro é “praticamente zero”. Mas, no caso do apartamento, a relação admitida foi com Augusto Lima, empresário que aparece no centro da apuração e que, segundo o próprio senador, teria sido acionado por ele para viabilizar a compra inicial do imóvel.
Para a opinião pública, a questão não é apenas se houve crime, algo que caberá à investigação esclarecer, mas se a operação descrita faz sentido para qualquer cidadão comum: alguém comprar um apartamento milionário para outro recomprar depois.
Até agora, Wagner não é réu e nega ter recebido vantagem indevida.
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