IA / Montagem TVS1
Lula pede votos, mas não pode prestar contas pelo governador da Bahia. É por isso que a notícia de que Jerônimo Rodrigues (PT) deixará de participar do debate da TV Bahia para acompanhar o presidente em Feira de Santana merece cobrança. Segundo informação publicada pelo jornal A TARDE na noite de quarta-feira (23), o petista ficará fora do encontro de 29 de setembro, enquanto ACM Neto (União Brasil) já confirmou presença.
Se mantida essa decisão, a leitura política é clara: o compromisso com Lula funciona como uma desculpa conveniente para evitar o confronto direto com o adversário na reta final da eleição.
Há um detalhe que torna essa escolha ainda mais difícil de justificar: conforme a programação noticiada, o ato com Lula em Feira será à tarde, enquanto o debate acontecerá à noite, em Salvador. Isso não permite ignorar deslocamentos e necessidades de preparação, mas exige uma explicação concreta sobre a incompatibilidade entre os compromissos. Nas fontes consultadas, não aparece uma manifestação direta da campanha esclarecendo esse impedimento.
A coincidência de datas, sozinha, não responde à pergunta que interessa ao eleitor: por que o governador não pode participar dos dois?
Bruno Reis já havia colocado o dedo nessa ferida ao criticar a possibilidade de ausência: “Agora, para fugir do debate, utiliza o presidente”, declarou em entrevista coletiva nesta quarta-feira (23).
O Informe Baiano aponta que uma nova falta levaria Jerônimo à sexta ausência em debates, somando as eleições de 2022 e 2026. Esse histórico aumenta a necessidade de uma resposta clara sobre a disposição do governador para confrontar propostas e defender sua gestão diante dos concorrentes.
Jerônimo tem todo o direito de buscar o apoio de Lula. O eleitor também tem o direito de cobrar que o candidato à reeleição apareça, responda e sustente suas próprias escolhas.
Segurança, saúde, educação e as prioridades do próximo governo precisam ser discutidas por quem pretende comandar a Bahia.
Trocar essa oportunidade por mais um ato ao lado do presidente transmite, na minha avaliação, uma preferência pelo conforto do palanque em vez da exposição às perguntas dos adversários. A maneira mais convincente de afastar a acusação de fuga é simples: comparecer ao debate e enfrentar ACM Neto com respostas.
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