Política

Jurista explica: Lula pode sofrer impeachment por comparação entre Gaza e Holocausto?

Ricardo Stuckbert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, durante visita à Adis Abeba, na Etiópia, para a reunião da cúpula da União Africana, que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus.”

Na fala, Lula se refere à guerra entre Israel e o Hamas, que teve início em outubro de 2023, quando o grupo terrorista, que governa Gaza, lançou um ataque em Israel que resultou em mais de 1.200 mortes e cerca de 240 reféns, segundo as autoridades israelenses. Desde então, a retaliação israelense deixou mais de 28 mil palestinos mortos, incluindo civis, mulheres e crianças, e mais de um milhão de pessoas precisaram deixar suas casas, segundo as autoridades de Gaza.



A fala gerou um grande incidente diplomático entre Brasil e Israel, além de comoção de diversos setores da política nacional. O governo de Benjamin Netanyahu declarou o líder brasileiro “persona non grata”, até que se desculpe pela fala. Internamente, um pedido de impeachment contra Lula por comparar as mortes na Faixa de Gaza ao Holocausto tem apoio de 91 deputados. Desses, 20 são de partidos da base do governo.

Para Acacio Miranda, Doutor em Direito Constitucional, a fala do Presidente Lula foi desastrosa. “Primeiro porque Israel é um parceiro histórico do Brasil; segundo porque o Hamas, que não é o povo palestino, é uma organização terrorista; e em terceiro lugar devido ao fato de que o Brasil, em termos de relações internacionais, é um país neutro. A fala do presidente quebra essa neutralidade”, afirma.

A partir disso, é necessário, explica o especialista, voltar as atenções ao artigo 5º, III, da Lei 1.079/50, que dispõe que é crime de responsabilidade contra a existência política da União: cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade. “Assim, se comprovada a finalidade ou o objetivo do presidente ao externar essa opinião, ele pode sim responder por um processo de impeachment”, pontua Acacio.

.

Acacio Miranda é Doutor em Direito Constitucional pelo IDP/DF.
Mestre em Direito Penal Internacional pela Universidade de Granada/Espanha.



Emmanuel

Como me defino? Pernambucano, católico e ANCAP. Sem mais delongas... " Totus Tuus Mariae". "... São os jovens deste século, que na aurora do novo milénio, vivem ainda os tormentos derivados do pecado, do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra..." Um adendo: somos dois pernambucanos contra um "não-pernambucano". Rs

Recent Posts

Projeto ParaPraia encerra temporada neste final de semana em Salvador

Após receber dezenas de banhistas durante dois finais de semana na Bacia das Moças, em…

18 minutos ago

Recusa de Ronaldo Carletto, boicote de Rui Costa e disputa interna revelam incompetência e dificuldade de Jerônimo Rodrigues em liderar petezada

Os bastidores da política baiana voltaram a ferver depois que o presidente do Avante na…

14 horas ago

“Nossa Torcida é pela Paz”: Campanha do MPBA contra violência nos estádios será exibida na final do Baianão

Difundir a cultura da paz nos estádios e fortalecer o respeito entre torcedores, clubes e…

14 horas ago

Atestado médico poderá ser exigido em corridas de rua

O vereador Randerson Leal (Podemos), líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador, apresentou o…

14 horas ago

Lauro de Freitas dá início à programação do Viva Mulher 2026 em Itinga

Em comemoração ao Mês da Mulher, a Prefeitura de Lauro de Freitas, por meio da…

14 horas ago

Chupito dedica a semana ao Dia da Mulher e abre domingo (8) para roda especial com Maira Lins e lançamento de drink exclusivo

Em celebração ao Dia Internacional da Mulher, o Chupito realiza uma semana inteira dedicada à…

14 horas ago

This website uses cookies.