Um organograma incorporado às investigações sobre o Banco Master reforça uma conexão que a TVS1 já vinha mostrando: Bahia, Augusto Ferreira Lima, Daniel Vorcaro e Jaques Wagner aparecem em diferentes momentos de uma cadeia que começou a ganhar força com o Credcesta. O produto surgiu a partir da privatização da Ebal, concluída em 2018, no governo Rui Costa, quando Wagner comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Poucos dias depois da venda, decretos estaduais ampliaram as possibilidades de uso do cartão e abriram espaço para operações de crédito consignado com servidores públicos baianos.
Foi a partir daí que o Credcesta deixou de ser apenas um cartão ligado ao consumo e ganhou musculatura financeira. Augusto Lima, que passou a controlar a operação, aproximou-se do então Banco Máxima, ligado a Daniel Vorcaro, instituição que posteriormente seria rebatizada como Banco Master. Segundo documentos já revelados, o Credcesta se tornou uma importante fonte de geração e comercialização de carteiras de crédito, movimentando bilhões de reais nos anos seguintes.
A nova investigação da Polícia Federal recoloca os mesmos personagens no centro do caso. O mapa produzido pelos investigadores mostra Augusto Lima como elo entre Vorcaro, operadores financeiros e Jaques Wagner. Em uma das frentes, a PF investiga a compra de um apartamento de aproximadamente R$ 2,45 milhões, no Horto Florestal, em Salvador.
Os investigadores suspeitam que empresas e fundos de investimento tenham sido utilizados para ocultar a origem dos recursos e o beneficiário final da operação. Wagner nega ter recebido vantagem indevida.
A PF também analisa a relação política entre Wagner e interesses ligados ao Banco Master. Documentos mostram contatos entre o senador e Augusto Lima durante a tramitação da PEC 65/2023, além de conversas envolvendo pautas do sistema financeiro e do próprio banco. Em agosto de 2024, no dia da apresentação da Emenda 11 à PEC, Augusto Lima telefonou para Wagner e posteriormente enviou ao senador o link da proposta. Para os investigadores, a sequência de contatos merece aprofundamento.
A tese mais segura, portanto, não é afirmar que o Banco Master nasceu formalmente na Bahia, porque o Banco Máxima já existia. O que os documentos mostram é que uma operação criada a partir de um ativo privatizado pelo governo baiano ganhou escala, aproximou Augusto Lima de Vorcaro e se transformou numa engrenagem relevante do futuro Banco Master. Anos depois, Lima e Wagner voltam a aparecer juntos em investigações envolvendo imóvel, viagens, benefícios e atuação política.
Jaques Wagner rejeita essa interpretação e afirma que o caso Master “não começou com o Credcesta”.
Rui Costa também sustenta que seu governo apenas privatizou uma estatal deficitária.
Ainda assim, a sequência documental reforça o ponto já revelado pela TVS1: a Bahia não é um capítulo periférico do escândalo Master.
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