Mesmo assim, a vereadora usou a tribuna no plenário da Casa para apresentar e defender os conceitos, valores e o ponto de vista sobre diversidade de gênero e LGBTFobia. Alguns vereadores participaram do debate e, logo em seguida, saíram do plenário. “Muitos falaram sobre ideologia de gênero que não existe, porque não existe conceito e não tem nenhum debate filosófico que garanta isso. Criaram isso para tentar nos rotular e tentar dizer que é debate de esquerda. O debate é do ódio, do preconceito, da raiva. Cada um tem o direito de ter sua religião, sua orientação sexual e cabe a gente enquanto legisladores nessa cidade elaborar leis que garantam isso. Essa pauta eu considero fundamental para o momento em que nós estamos vivendo de intolerância religiosa, o ódio religioso, em que as pessoas não respeitam a religião. Na minha fala sobre LGBTFobia falei de Felipe Dohs, um jovem de 26 anos, estudante da UFBA, era um homossexual negro e foi assassinado. É esse o debate que nós precisamos fazer aqui e que nossos pares não entendam isso como se eles fossem inimigos. Não. Ninguém é inimigo. Nós estamos lutando por uma Salvador, que e uma cidade negra, ter igualdade com os negros, porque os negros não são respeitados, principalmente, as mulheres negras”, discorre Marta.
Marta criticou indiretamente sobre o movimento na Câmara denominado ‘Me Ouça’, projeto de iniciativa da vereadora Marcelle Moraes (PV), mas lamenta a ausência das colegas para debater sobre o assunto em discussão, inclusive, sobre o tema ligado às mulheres. “Desde criança, que nós mulheres somos rotuladas. Quando é o homem não põe ir na cozinha. Não se tem um debate desde criança da divisão do trabalho em casa. E quando é mulher, é a mulher chorona, frágil. Então, isso são construções socialmente falando que nós não podemos conviver”, disse.
Com apenas 12 vereadores no plenario, a vereadora pediu verificação de quórum, que motivou a suspensão da sessão por 15 minutos e, logo em seguida, sem haver o reestabelecimento do quórum, a sessão foi encerrada pelo segundo vice-presidente, vereador Kiki Bispo (PTB) por falta de quórum sem condições de continuar o debate. “Eu pedi a verificação, eu não gosto de pedir, mas um tema desse, como é que nós iríamos debater com 12 vereadores. Teria que ter as oito mulheres, pois é um debate que nos atinge diretamente enquanto mulher quanto a questão do preconceito, da discriminação e do patriarcado que recai sobre a gente. Fazer um debate que foi divulgado desde a semana passada pelo presidente Leo Prates, pactuado pela oposição e a situação com somente com 12 vereadores é uma vergonha. Portanto, isso significa não levar um tema desse a sério”, critica Marta.