Presidencia
O presidente da Argentina, Javier Milei, desembarcou em São Paulo no fim da noite desta sexta-feira (24) para uma passagem rápida, mas carregada de simbolismo político. Neste sábado (25), o argentino será recebido pelo governador Tarcísio de Freitas, receberá a Ordem do Ipiranga, maior honraria concedida pelo governo paulista; e participará de uma reunião no Palácio dos Bandeirantes com Tarcísio, Flávio Bolsonaro e o prefeito Ricardo Nunes.
Depois, Milei seguirá para o Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, onde o PL oficializará a candidatura de Flávio à Presidência. O evento começa pela manhã, tem capacidade para aproximadamente 7 mil pessoas e já estava com os ingressos esgotados na véspera.
A visita foi planejada para dar projeção internacional à candidatura e apresentar Flávio como parte de uma articulação conservadora que avança pela América Latina. Milei já havia recebido o senador em Buenos Aires, em junho, quando declarou que uma “onda azul” estaria chegando ao Brasil pelas mãos do filho de Jair Bolsonaro.
A passagem por São Paulo também integra uma movimentação regional do argentino, que prevê agendas no Peru, Equador e Colômbia, aproximando governos e lideranças alinhados a propostas de combate mais duro ao crime, redução do tamanho do Estado, livre mercado e estímulo ao investimento privado.
Não haverá encontro com Lula, deixando claro que a passagem possui um forte componente político e ideológico.
Para Flávio, a presença de um chefe de Estado estrangeiro na convenção representa uma injeção de ânimo num momento delicado. O senador chega à oficialização sem vice definido e ainda sem uma coligação nacional ampla, enquanto PP, União Brasil e Republicanos discutem neutralidade e liberdade para os diretórios estaduais.
A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira mostrou Lula com 40% e Flávio com 32% em um cenário de primeiro turno; numa disputa direta, o petista venceria por 48% a 43%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas nos dias 22 e 23 de julho e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
A aposta do PL é que Milei ajude a mobilizar a militância, reorganizar o campo conservador e aproximar Flávio de setores que ainda enxergam Tarcísio como a principal liderança eleitoral da direita.
O risco é que o espetáculo internacional também ofereça munição para Lula explorar novamente o discurso da soberania nacional. Integrantes do Planalto acompanham a visita e avaliam reagir caso Milei ataque diretamente o presidente brasileiro ou faça críticas ao sistema eleitoral. Analistas ouvidos pela imprensa argentina apontam que o apoio do libertário pode entusiasmar quem já está dentro do bolsonarismo, mas possui alcance incerto entre mulheres, moderados e eleitores de centro… justamente os grupos que Flávio precisa conquistar.
Milei ainda pretendia visitar Jair Bolsonaro em Brasília, mas o ministro Alexandre de Moraes negou a autorização, alegando as restrições impostas a encontros de natureza político-eleitoral. Assim, a passagem do argentino pode produzir uma fotografia poderosa para a direita, mas o resultado real dependerá da capacidade de Flávio de transformar mobilização ideológica em alianças, tempo de televisão e votos fora de sua base tradicional.
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