Reprodução X / Eduardo Bolsonaro
O presidente da Argentina, Javier Milei, transformou suas redes sociais em uma verdadeira sequência de manifestações favoráveis a Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (4), dia do primeiro turno da eleição presidencial brasileira. Acompanhando a votação da Quinta de Olivos, Milei compartilhou vídeo de Flávio chegando para votar e o chamou de “fenômeno”, divulgou uma fotografia ao lado do candidato, republicou imagens envolvendo Jair Bolsonaro e publicou a mensagem “hoje por ele”. Também repercutiu o momento em que Flávio repetiu diante da imprensa o tradicional bordão do argentino, “Viva la libertad, carajo”.
A mobilização veio acompanhada de novos ataques e provocações contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Milei compartilhou uma montagem que contrapôs uma fotografia dele quando jogava como goleiro do Chacarita a uma imagem de Lula fichado pelo DOPS após ser preso durante a ditadura militar, em 1980.
Dias antes da eleição, em entrevista à revista francesa Le Point, o argentino havia voltado a chamar Lula de “ladrão” e afirmou que o brasileiro estaria livre por uma questão processual.
Milei não foi o único chefe de Estado do continente a se manifestar. O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, declarou apoio a Flávio neste domingo e escreveu no X que seu “coração está com o Brasil”, acrescentando que, na visão dele, a mudança passaria pela derrota da esquerda. O gesto reforça a aproximação entre Flávio e parte da nova geração de governos conservadores latino-americanos.
Isso não significa, entretanto, que exista apoio formal de todo esse bloco: o presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou às vésperas da eleição que não faria qualquer sugestão ao eleitor brasileiro e que reconhecerá a escolha feita nas urnas.
José Antonio Kast, presidente do Chile, também já havia dito publicamente que não manifestara preferência por Flávio.
Donald Trump completa o tabuleiro internacional, embora com uma postura mais cuidadosa nesta reta final. Flávio foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca em maio, e o presidente americano posteriormente publicou uma fotografia do encontro chamando o brasileiro de um “jovem inteligente” que ama seu país. O governo Trump também mantém forte aproximação política com lideranças conservadoras da região.
Questionado diretamente na quinta e na sexta-feira sobre a disputa entre Flávio e Lula, porém, Trump evitou declarar voto ou apoio formal e afirmou apenas que estava acompanhando a eleição brasileira “muito de perto”.
Assim, enquanto Milei e De la Espriella entraram abertamente na disputa política neste domingo, Trump preservou publicamente uma margem de neutralidade, apesar da proximidade construída com Flávio e com a família Bolsonaro.
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