A Proclamação da República no Brasil, ocorrida em 1889, continua sendo alvo de intensos debates históricos e políticos. Para alguns, como o advogado Eduardo Prado, que em 1890 publicou o livro Fastos da Ditadura Militar no Brasil, o evento foi uma imposição ilegítima, uma “cópia malfeita” do modelo republicano norte-americano que ignorou as particularidades sociais do país.
A visão de Prado é compartilhada atualmente por monarquistas e críticos que consideram o movimento uma “quartelada” conduzida por militares e civis sem o respaldo popular.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tataraneto de Dom Pedro II, reforça essa visão ao apontar que a República nasceu de um golpe articulado por uma minoria e resultou em décadas de instabilidade. Para ele, a ausência de participação popular e o domínio militar no processo minaram a legitimidade da transição.
O historiador José Murilo de Carvalho concorda que o movimento foi excludente, destacando que “o pecado foi a ausência de povo”, uma característica que marcaria o regime republicano até a Primeira República.
Por outro lado, autores como Laurentino Gomes e Marcos Napolitano defendem que a República, embora nascida de um golpe, representou uma ruptura necessária com um regime monárquico intrinsecamente ligado à escravidão. Segundo Napolitano, muitos processos democráticos começam com ações de minorias ativas, e o movimento de 1889 não foi diferente, apesar de sua execução traumática.
A narrativa predominante de “proclamação” — e não de “golpe” — foi consolidada pelos republicanos vitoriosos, mas o debate persiste. Para Laurentino Gomes, essa disputa sobre legitimidade é, acima de tudo, uma batalha por quem detém o poder de nomear os eventos históricos. Ainda assim, o retorno à monarquia não parece estar no horizonte do Brasil, com o plebiscito de 1993 reafirmando a preferência nacional pelo regime republicano.
Essa discussão sobre o passado revela muito sobre as divisões do presente. Como apontam os historiadores, revisitar a Proclamação da República é também refletir sobre os desafios da democracia no Brasil atual, ainda marcada pela exclusão política e disputas de narrativas.
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(Com informações da CNN – Matéria de 2017)
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