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Moradores de Itaparica e Vera Cruz tentam voltar a rotina após tragédia com embarcação em Mar Grande com 19 mortos

Crédito: Joá Souza | Ag. A TARDE

Enquanto moradores ainda lamentam as 19 mortes no acidente com a lancha Cavalo Marinho I – que levava trabalhadores, estudantes e pacientes para Salvador –, no último dia 24, as populações de Vera Cruz e Itaparica – os dois municípios da ilha – tentam seguir a rotina de travessias até o continente para cumprir diversos compromissos.

Conforme levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), a proximidade com o continente faz que a metrópole influencie na dinâmica socioeconômica da ilha, o que resulta na necessidade de deslocamento diário para Salvador por motivos de trabalho, estudos, saúde, compras e lazer.

E é nesta rotina que aparecem inúmeros desafios a serem superados por quem tem o mar no meio do caminho.

Fim de tarde. Sobre uma cadeira de rodas, dona Bety Santos, 72, é carregada por tripulantes da lancha na volta da capital, após uma consulta médica. A ida dela não foi por falta da especialidade em angiologia, disponível na única clínica particular da ilha, em Mar Grande.

O problema é que o plano de saúde da idosa não é aceito no estabelecimento, o que motivou a travessia de lancha até Salvador.

Moradora do distrito de Baiacu, a marisqueira Márcia Santos, 47, foi quem acompanhou a mãe na consulta médica. “A gente depende de Salvador em quase tudo. É perto, mas é longe, por causa do transporte”, disse, na volta, ao lado de dona Bety.

A cada saída periódica para revisão da mãe, recém-operada de um joelho, Márcia calcula que é preciso gastar cerca de R$ 100 de transporte, o que corresponde à venda de dez quilos de mariscos.

“Tem que fretar carro na ilha, pagar táxi em Salvador. Até o marisco tenho que vender na capital”, conta.

Cidades pobres

Itaparica e Vera Cruz têm os menores Produtos Internos Brutos (PIBs) per capita entre as cidades da Grande Salvador. Apesar da proximidade de apenas 22 quilômetros da capital por via marítima, os dois municípios sequer figuram entre as 30 cidades com as melhores performances elencadas pela SEI. O PIB de Itaparica é de R$ 8.617,56, enquanto o de Vera Cruz é de R$ 11.071,71.

Vera Cruz é maior, com uma extensão territorial de 299,734 km² e população estimada em 43.640 habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A vizinha Itaparica tem uma extensão de 118.040 km², para uma população de 22.866 habitantes.

Educação

No quesito educação, Vera Cruz dispõe de 45 escolas municipais de ensino fundamental, enquanto Itaparica possui 22 unidades.

As escolas estaduais para estudantes de ensino médio somam seis unidades em todo o território da ilha, com 4.166 alunos e matriculados e 163 professores.

Aluno do 7º ano no Colégio Estadual João Ubaldo Ribeiro, em Itaparica, o estudante Luan Conceição, 17, já sabe o que pretende fazer ao concluir os estudos: servir ao Exército.

“Não temos muita opção. Quem quiser fazer uma faculdade, para ter uma profissão, ou fica no vai e volta para Salvador ou mora lá, quem pode, o que não é o meu caso”, lamenta.

Efetivamente, a ilha não possui nenhuma instituição de ensino superior, o que obriga muitos ilhéus a fazerem a travessia diária para a capital baiana.

O fiscal de obras Hilton Ribeiro, 55, fez o caminho oposto: deixou Salvador para radicar-se em Itaparica, mas conta que a dependência da metrópole continua.

“Aqui não tem faculdade. As pessoas passam por um sofrimento terrível. Acordam às 4h para ir a Salvador em busca de uma vida melhor”, observa.

“Ou então, ficam aqui sem conseguir uma qualificação, onde há pouca oferta de emprego e muito trabalho informal”, afirma.

E enquanto as limitações nas políticas básicas de atenção, como educação e saúde, mas não só essas, obrigam a população ao vai e vem permanente, as pessoas encaram as travessias diárias, de lancha ou ferryboat, em busca de dias melhores.

Saúde

Conforme dados informados pela prefeitura de Vera Cruz, para atender aos mais de 30 distritos do município, há 19 unidades de saúde disponíveis na rede de atendimento local.

Entre elas, 12 são voltadas à saúde da família, seis unidades de apoio, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

As equipes de cada uma delas são formadas por técnico de enfermagem, enfermeiro, odontólogo, médico, com especialidades como oftalmologia, ultrassonografia e medicina do trabalho, que, somadas as unidade saúde, atendem cerca de 12.350 pacientes por mês.

Para assistir aos 13 distritos de Itaparica, são nove postos de saúde da família e um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), com as especialidades  clínica médica, ginecologia, pediatria, odontologia, nutrição, psicologia e assistência social.

É também no município que fica o Hospital Geral de Itaparica, a maior unidade de saúde para atender toda a ilha, com 52 leitos, 15 médicos nas especialidades de clínica médica, cirúrgica, pediátrica, ortopédica, cardiológica, obstétrica, fisioterapia e ginecologia.

Nesta unidade, estão disponíveis à população exames como ecocardiograma, ultrassonografia, radiografia e laboratoriais. O hospital atende cerca de 6.350 pessoas diariamente, conforme informações da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab).

Educação profissional 

Como opção para formação profissional para estudantes da ilha, a Secretaria da Educação do Estado destaca a abertura do Centro Estadual de Educação Profissional Oceano (Ceep), inaugurado no último dia 9 de julho, com cursos da educação profissional e tecnológica.

Fonte: A TARDE On Line

 

Emmanuel

Como me defino? Pernambucano, católico e ANCAP. Sem mais delongas... " Totus Tuus Mariae". "... São os jovens deste século, que na aurora do novo milénio, vivem ainda os tormentos derivados do pecado, do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra..." Um adendo: somos dois pernambucanos contra um "não-pernambucano". Rs

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