O empoderamento político das mulheres, tanto nos espaços de tomada de decisão, quanto na elaboração político-legislativa, contribui efetivamente na construção das políticas públicas de gênero. A sociedade brasileira tem consciência da necessidade da ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder, e acreditam que só há democracia de fato com a presença de mulheres em locais estratégicos de tomada de decisão. A necessidade é de as mulheres ampliarem a participação nos espaços de poder, com voz para decisões.
As mulheres tem papel fundamental na política de base, através de movimentos sociais, mas falta o protagonismo na política partidária. A defesa dos direitos das mulheres acontece a partir do empoderamento da própria mulher na sua vida pessoal é o primeiro passo para tornar a política mais acessível.
As mulheres consideram-se motivadas. A oportunidade e responsabilidade de se ter uma representação de mulheres nos poderes Executivo, legislativo e Judiciário sempre falou mais alto e muitas delas fazem do preconceito o combustível para conquistar um cargo eletivo econstruir um mandato voltado à defesa dos próprios direitos.
As mulheres precisam ser incentivadas a assumirem o protagonismo de suas vidas para se construir uma política mais inclusiva. Acredito que elas só vai encarar um projeto político a partir do momento em que forem empoderadas e tiverem autonomia dentro da sua casa, na sua família e comunidade.
Se a presença de mulheres na política ou no espaço público é muito pequena, a participação de mulheres negras é mais baixa ainda. Como ter uma sociedade inclusiva, se a participação da mulher, principalmente, da mulher negra já começa desigual?
Cerca de 54% do eleitorado brasileiro é formado por mulheres e isso não se reflete nos espaços institucionais. Quando as mulheres participam da política, em sua maioria já são de uma família tradicional e dão continuidade a esse espaço que já pertence ao seu sobrenome e não são defensoras de uma luta social.
Com algumas mulheres representando apenas os interesses da política tradicional, pautas importantes deixam de ser apresentadas. Mas, a participação de mulheres oriundas de movimentos sociais, que representam segmentos da diversidade, que lutam pela igualdade racial e que efetiva essas lutas através de lei e de debates públicos devem ser uma constante. Assim como também a atuação de mulheres negras na política nas discussões como gênero nas escolas, violência urbana, economia solidária e a inclusão produtiva. Com as mulheres nos espaços de poder teremos outra realidade.
A lei já estabelece a cota de gênero para incentivar a participação da mulher, investimento de parte do fundo partidário nas campanhas femininas. Falta que elas se apropriem disso e que exijam sua aplicação, de verdade.
A representação baixa de mulheres nas esferas de poder tem efeito direto na vida da população feminina. As mulheres precisam entender que ninguém melhor do que elas próprias poderiam estabelecer políticas públicas que influenciem positivamente suas vidas. Somente por meio da política, poderemos desenvolver os ideais da igualdade e do bem-estar social da sociedade.
Nos legislativos em geral, alguns projetos em prol das mulheres deveriam ser colocados mais em pauta para que sua aprovação facilite a vida das mulheres. Sabe por que não passam? Porque não há expressividade na representação feminina.
Elas são 51,4% da população brasileira, mas o poder ainda está quase que por completo em mãos masculinas. Os cargos eletivos e os partidos políticos ainda são dominados por homens.
Desde 1997, a legislação eleitoral determina que as mulheres devem representar 30% do total de candidatos, mas a eficácia da regra é questionada por especialistas por não prever nenhuma sanção aos partidos que não preenchem a cota mínima de mulheres. A lei diz que, nesse caso, as vagas que deveriam ser delas não podem ser ocupadas por homens, mas não garante a presença feminina. Hoje, as instituições públicas não se mobilizam para fortalecer e incentivar a presença das mulheres na política.
As mulheres precisam ser incentivadas para assumirem o protagonismo de suas vidas para se construir uma política mais inclusiva. Elas só vão encarar um projeto político a partir do momento em que forem empoderadas e tiverem autonomia dentro da sua casa, na sua família e comunidade.