O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou nesta quarta-feira (4) o cancelamento do show de Jorge & Mateus no Réveillon de Fortaleza por parte da extrema-esquerda radical e questionou como seria a reação se artistas de esquerda fossem retirados da programação do Festival Virada Salvador.
A comparação ganha destaque no mesmo dia em que a Prefeitura de Salvador anunciou a dupla sertaneja entre as atrações da festa.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Nikolas citou a militante petista Daniela Mercury como exemplo e afirmou que a exclusão de uma artista identificada com a esquerda provavelmente provocaria acusações de censura e perseguição. “Mas, como é do outro lado, aí está tudo bem”, disse o parlamentar, ao criticar o que considera tratamento desigual a artistas por suas posições políticas.
O deputado também distinguiu a decisão individual de deixar de consumir produtos ou serviços de uma eventual pressão para retirar artistas de eventos organizados pelo poder público. Nikolas argumentou que o dinheiro público pertence à população, mas, no caso de Fortaleza, a prefeitura informou que os cachês do Réveillon seriam pagos por patrocinadores privados.
A comparação com Salvador ganhou força porque a programação anunciada por Bruno Reis inclui Jorge & Mateus na noite de 31 de dezembro e Daniela Mercury no encerramento do festival, em 3 de janeiro. A grade também reúne artistas de diferentes estilos e públicos, entre eles Ivete Sangalo, BaianaSystem, Bell Marques e Zé Neto e Cristiano.
Ao comentar a escolha das atrações, Bruno Reis afirmou que a posição política dos artistas não foi usada como critério para montar a programação. O prefeito disse que a festa busca reunir diferentes estilos musicais e defendeu o respeito a opiniões divergentes.
Em Fortaleza, o prefeito comunista Evandro Leitão anunciou o cancelamento da apresentação após a repercussão e afirmou que a decisão foi tomada de forma legal e em comum acordo. Recife também retirou a dupla de sua programação. As decisões vieram após críticas relacionadas ao apoio político manifestado pelo cantor Jorge; os dois municípios disseram que os cachês seriam pagos por patrocinadores privados.
A crítica de Nikolas abre um debate sobre liberdade artística, critérios políticos em festas populares e coerência no discurso de tolerância. O tema também ganhou repercussão porque uma reportagem do Pipoca Moderna registrou que, dias antes, o deputado havia defendido boicotes a artistas e influenciadores que apoiaram Lula.
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