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O Supremo Tribunal Federal voltou a julgar nesta quarta-feira (26) se aceita ou não a denúncia da PGR contra Jair Bolsonaro e mais sete nomes ligados ao governo anterior. A acusação, baseada principalmente na delação do tenente-coronel Mauro Cid, aponta uma suposta tentativa de golpe para impedir a posse de Lula em 2022.
A delação, que já sofreu nove versões diferentes, foi firmada com a Polícia Federal sem aval do Ministério Público e é vista com muitas reservas até por ministros da própria Corte. Luiz Fux alertou: “Vejo com muita reserva nove delações de um mesmo colaborador, cada hora apresentando uma novidade”.
Apesar disso, o relator Alexandre de Moraes e os ministros Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin votaram para manter o processo dentro da 1ª Turma e ignoraram as inconsistências apontadas pela defesa. O único a levantar a voz contra a pressa e os erros do processo foi Fux, que defendeu o envio do caso ao plenário completo e fez questão de lembrar que “a matéria não é tão pacífica assim”.
Bolsonaro foi o único acusado a ir presencialmente ao Supremo, onde sentou-se na primeira fila, enquanto do lado de fora o clima era de tensão.
A defesa do ex-presidente criticou o julgamento e alertou para uma possível “pescaria probatória”, prática condenada até pelo próprio STF, onde investiga-se primeiro para depois procurar provas. Também foi rejeitado o pedido de anulação da delação de Cid, mesmo com provas de que ela teria sido vazada para a imprensa antes de ser homologada. Ainda assim, Moraes tentou ridicularizar os questionamentos com uma ironia infeliz: “Assim como a Terra plana, criou-se a narrativa de que o STF estaria condenando velhinhas com a Bíblia na mão”.
Além de Bolsonaro, podem ser tornados réus nomes como Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Braga Netto, Augusto Heleno, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira e o próprio Mauro Cid. O processo, se aceito, será mais uma frente da ofensiva da extrema-esquerda radical contra qualquer um que tenha feito parte do governo anterior ou se oponha ao projeto autoritário do PT.
Enquanto isso, a imprensa militante finge normalidade e trata como fato consumado o que ainda sequer foi julgado. Nenhum dos acusados foi condenado, mas a narrativa da esquerda já está pronta: pintar Bolsonaro como inimigo da democracia, mesmo que o processo esteja recheado de vícios e inconsistências. E tudo isso em meio ao silêncio conveniente sobre escândalos reais que envolvem o atual governo do ex-presidiário Lula.
O julgamento desta quarta não decide culpa, mas serve de termômetro para entender até onde o sistema está disposto a ir para calar vozes conservadoras. A delação frágil, a condução política do processo e o desrespeito às garantias mínimas mostram que, mais do que um julgamento, o que está em jogo é um projeto de poder.
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