IA / Montagem TVS1
Uma sequência de mensagens encontrada pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro abriu neste fim de semana uma nova e incômoda frente política na Bahia. O ex-controlador do Banco Master tratava o senador Otto Alencar (PSD-BA) como “conselheiro” e “comandante” em conversas com o advogado Ciro Soares, apontado pela PF como intermediário entre os dois.
Em uma troca de mensagens de maio de 2024, depois de ser informado de que “Otto queria falar”, Vorcaro mandou um abraço ao “nosso comandante” e afirmou que o senador era “conselheiro e comandante nosso”.
Em dezembro daquele ano, Soares disse ainda que Otto teria feito “um movimento grande” para o banqueiro, sem explicar do que se tratava.
A repercussão aumentou por causa da mudança na versão apresentada pelo próprio Otto. Inicialmente, o senador afirmou ao jornal O Globo que nunca havia visto, trocado mensagens, feito ligações ou mantido qualquer contato com Vorcaro. Depois da publicação da reportagem, reconheceu que falou com o banqueiro “duas ou três vezes” por telefone, utilizando o aparelho de Ciro Soares.
Segundo Otto, Vorcaro queria apoio para uma proposta que ficou conhecida como “Emenda Master”, destinada a aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Otto afirma que rejeitou a ideia, nunca se encontrou pessoalmente com Vorcaro e não é investigado no caso.
O episódio ganha dimensão especial na Bahia porque Otto é uma das principais lideranças da aliança política que sustenta o PT no estado. Em 2011, tomou posse como vice-governador de Jaques Wagner e também comandou a Secretaria de Infraestrutura. Atualmente, o PSD baiano liderado por Otto apoia a reeleição de Jerônimo Rodrigues e a chapa ao Senado formada por Jaques Wagner e Rui Costa. É justamente durante os governos desse mesmo grupo político que aparece um dos capítulos decisivos da ascensão do futuro Banco Master: o Credcesta.
Reportagens do Poder360 mostram que a privatização da antiga Ebal, realizada no governo Rui Costa em 2018, incluiu o Credcesta, operação de crédito consignado que posteriormente chegou ao então Banco Máxima por meio da sociedade de Daniel Vorcaro com o empresário Augusto Lima.
O veículo afirma ainda que Lima tratou da operação com Jaques Wagner antes da venda e que mudanças normativas realizadas pelo governo baiano favoreceram a expansão do Credcesta. Wagner e Rui Costa negam irregularidades.
Segundo outra investigação publicada pela Folha, associações ligadas a Augusto Lima chegaram a controlar mais de 103 mil autorizações de desconto de servidores da Bahia, numa carteira estimada em R$ 1 bilhão.
As mensagens divulgadas não demonstram que Otto tenha participado da operação do Credcesta ou de qualquer fraude investigada no Master. Criam, no entanto, uma pergunta política que agora estará no centro do debate: por que Daniel Vorcaro tratava um dos principais líderes da base governista baiana como “conselheiro” e “comandante”? E por que a primeira versão de Otto negava qualquer contato, antes de o senador reconhecer que houve ligações?
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