Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters
A cúpula do PSDB avalia que as últimas revelações que envolvem o Grupo J&F enfraqueceram a delação premiada do empresário Joesley Batista. Conforme dirigentes do partido, que têm políticos investigados com base em delações, a atuação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode ser também questionada.
Na semana passada, Janot pediu investigação sobre um áudio, supostamente gravado por acidente, com conversas entre Joesley e o executivo Ricardo Saud, na qual eles mencionam que o advogado Marcello Miller, quando era procurador, teria atuado para garantir facilidades aos delatores junto à Procuradoria-Geral da República.
‘Armação’
Em caráter reservado, lideranças tucanas próximas ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) avaliam que a “gravação acidental” de Joesley Batista reforça a narrativa que houve uma “armação” no diálogo entre ele e o empresário, na qual se falou sobre um empréstimo de R$ 2 milhões.
O ex-senador José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, braço teórico do PSDB, prefere não opinar diretamente sobre uma eventual anulação da delação, mas questiona Janot. “A delação do Joesley está sob forte suspeita e questionamento”, disse ele.
Para Aníbal, houve “açodamento” da Procuradoria-Geral da República e o procurador agiu para “desestabilizar o governo e inviabilizar as reformas estruturais”.
Indícios
Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem o instituto da delação premiada. “O fato de que a pessoa (Joesley Batista) foi um pouco fanfarrona – e é, bastante – não é suficiente para anular (a delação) se os indícios levarem a alguma coisa mais concreta que a palavra dele.” Em entrevista concedida após um almoço com empresários em São Paulo, FHC disse que a delação “funciona nos Estados Unidos e funciona bem”.
Fonte: Estadão Conteúdo / Jornal O Estado de São Paulo
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