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O cenário de um fazendeiro observando a rotina dos animais, a fim de predizer comportamentos alimentares e reprodutivos não é incomum no dia a dia da pecuária no Brasil. Mas, em um futuro próximo, os donos de gado poderão dedicar esse tempo a outras atividades. É que o pesquisador Frederico Cairo, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), imaginou como seria este processo acrescido de um fator inovador: a inteligência artificial. Agora, após 99 eventos de cio observados, junto a diversos estudos de nutrição alimentar e reprodução, é possível predizer com 90% de acurácia quando uma vaca entrará no cio, com até 6 horas de antecedência.
De acordo com Frederico, a zootecnia de precisão e a inteligência artificial são os dois principais diferenciais deste trabalho. “A inteligência artificial já está presente em nosso cotidiano. Quando nós pesquisamos um produto na internet e posteriormente ao acesso aquele mesmo produto nos é direcionado por propagandas, o mesmo foi replicado em nosso trabalho. Os modelos matemáticos aprendem o padrão do que é um animal em cio e o que não é, e por meio desses padrões de comportamentos analisados é detectado se o animal está ou não em cio”.
Esse estudo, segundo o pesquisador, pode auxiliar a rotina de diversos produtores de leite, principalmente os que possuem produção intensiva e que a observação diária se torna difícil, podendo reduzir os índices reprodutivos. “A vaca só produz leite se parir, então, identificar o momento do cio para que a inseminação artificial seja realizada promovendo uma nova gestação é de extrema importância, e conseguir fornecer aos produtores essa informação com 6 horas de antecedência é muito importante para facilitar a tomada de decisão do produtor. Nosso papel é fornecer base científica para que novos dispositivos eletrônicos sejam feitos, reduzindo a mão de obra nas propriedades e aumentando a eficiência reprodutiva e econômica do sistema de produção”.
A pesquisa recebeu apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), através da Embrapa Gado e Leite, em Minas Gerais, onde o estudo foi aplicado no campo experimental José Henrique Bruschi, em Coronel Pacheco – MG. A Universidade de Wisconsin-Madison (Wisc), nos Estados Unidos, e a Universidade Federal de Minas Gerais também foram apoiadores do projeto, que foi publicado na revista internacional Computers and Electronics in Agriculture.
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