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Jatinhos particulares, ingressos de mais de R$ 63 mil para shows de Taylor Swift, vinhos importados avaliados em milhares de reais e um apartamento de luxo de R$ 2,45 milhões em Salvador. A lista de benefícios atribuída pela Polícia Federal à relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, colocou um dos homens mais poderosos do PT baiano no centro de uma investigação que promete atravessar a eleição de 2026.
Wagner nega ter recebido qualquer vantagem ilícita e não foi condenado, mas os documentos da Operação Compliance Zero revelam uma proximidade que vai muito além de encontros protocolares.
Segundo a investigação, Augusto Lima teria colocado aeronaves particulares à disposição de Wagner e de familiares em diferentes ocasiões. Em outubro de 2023, o senador e a esposa teriam viajado para a chamada Ilha da Paixão, na Baía de Todos-os-Santos. Em uma das conversas apreendidas, auxiliares discutem a utilização de um avião “que ninguém conheça”, expressão interpretada pela PF como uma tentativa de dificultar a identificação do deslocamento. O episódio ganhou peso porque aparece ao lado de outros favores, presentes e tratativas financeiras atribuídos ao mesmo grupo empresarial.
A apuração também aponta que familiares de Wagner teriam recebido ingressos para apresentações de Taylor Swift nos Estados Unidos e no Brasil. Uma das compras, destinada à neta do senador, à mãe da jovem e a uma amiga, teria custado R$ 63.339. Em outra ocasião, mensagens tratam da entrega de cinco entradas de camarote para um show da cantora no país. Para os investigadores, os bilhetes não aparecem como simples gentilezas isoladas, mas como parte de uma sequência de benefícios concedidos durante a relação entre o senador e o empresário.
O ponto mais grave do relatório, porém, envolve um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, em Salvador. A PF sustenta que Wagner teria solicitado o imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, como “vantagem indevida” e que a negociação continuou mesmo depois da prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Master, e de Augusto Lima, em novembro de 2025. Os investigadores apontam conversas sobre contrato, pagamento e acabamento do apartamento e suspeitam que intermediários tenham sido utilizados para esconder o verdadeiro beneficiário.
A defesa de Wagner afirma que o imóvel nunca pertenceu ao senador e que Augusto Lima apenas intermediava uma possível compra.
Mesmo cercado pelo desgaste do caso Master, Wagner recebeu uma demonstração pública de apoio de Lula durante a convenção estadual do PT realizada no sábado, 1º de agosto, em Salvador. O presidente pediu votos para o aliado e chegou a chamá-lo de líder do governo no Senado, função que Wagner havia deixado após ser alvo da operação da PF. Nos bastidores, petistas já reconhecem que o acordo informal para manter o escândalo longe da campanha baiana ruiu.
O caso agora entra de vez no confronto eleitoral, e o eleitor terá de decidir se a longa lista descrita pelos investigadores representa apenas uma relação de amizade ou algo que exige explicações muito mais convincentes.
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