Um dos novos nomes que surge na politica baiana, Alexandre Aleluia integra o quadro de vereadores na Câmara de Salvador que defende a independência do legislativo municipal. Em sua primeira experiencia de mandato como vereador, Alexandre Aleluia rejeita a ideia de “salvador da pátria” na política. O demcrata avaliou o momento ruim pelo qual atravessa a classe política e classificou isso como perigoso.
Confira abaixo a íntegra da entrevista:
Você está ansioso para assumir o mandato de vereador?
Alexandre Aleluia – Estou muito. Gosto de política, sempre acompanhei. Não só de política do dia a dia, dos fatos, mas a partir do estudo de filosofia, ciências políticas… sempre gostei de estudar. Lógico, tive um espelho em casa, meu pai, o deputado Aleluia, então eu gosto não somente dos fatos, mas dar um passo pra trás e procurar ver o rumo da sociedade. Isso me encanta. Política é a arte de servir e eu estou ansioso para servir.
Você começa na política em um momento delicado na própria política – nesta semana foram dois ex-governadores do Rio presos. Como você encara isso?
Alexandre Aleluia – Sim. É um momento que a gente vê de desgaste institucional, de desgaste de representação. A gente vê muito essa questão da corrupção, que ocupa os debates, quando na verdade o que deveria ocupar os debates eram as ideias. Tem aquele sentimento de que precisamos de um salvador da pátria e isso é a pior coisa que pode acontecer com uma cidade, um estado ou um país. Porque surgem discursos de revolucionários… isso a gente deve combater. Sou muito cético em relação a isso, teorias abstratas, gosto das coisas mais concretas. Há problemas sim, e muita coisa foi herança do PT. Devemos combater, mas devemos combater também um discurso revolucionário.
Não existe salvador da pátria, para você?
Alexandre Aleluia – Não existe, devemos combater isso. Devemos separar o bom e o mal gestor, o competente e o incompetente. O competente muitas vezes pode estar na cadeira, como é o caso de ACM Neto. É só observar a votação dele aqui.
Alguns políticos criticam o fato da influência da polícia na política. Como você enxerga a Operação Lava Jato, por exemplo?
Alexandre Aleluia – É legítima, não tenho nenhuma ressalva. O que devemos evitar é o estado policial. A polícia não deve ser um poder autônomo. A Lava Jato deve continuar buscando o caminho da lei.
Na sua opinião, houve algum abuso até o momento?
Alexandre Aleluia – Não.
Vereadores muito jovens costumam reclamar de preconceito na política. Você teme isso na Câmara?
Alexandre Aleluia – De forma alguma. Eu tenho receio de ser taxado como o contrário da maior virtude que eu procuro ter, que é a humildade. Eu sou humilde. Todo político que persegue o posto de um bom estadista deve ser humilde. O que é ser humilde? Não buscar teorias abstratas, metafísicas, que nada representam. Eu não sou salvador da pátria, um líder revolucionário que vai criar tudo do nada. Existem coisas do passado que é preciso reformar. Sou humilde. Se me taxarem como imaturo, pode ser que eu seja, mas eu procuro aprender. Se eu for imaturo, tenha certeza que depois de quatro anos eu provavelmente não serei.
Qual vai ser sua principal luta na Câmara?
Alexandre Aleluia – Tenho duas frentes: os políticos olham apenas as estruturas físicas, novas escolas, novas estradas… são importantes. Eu procuro enxergar o que a gente não vê: sentimentos. A família, coisas que a gente sente no ar, o orgulho de pertencer a uma terra. Eu defendi muito a qualidade do ensino. Salvador crescer no ranking do Ideb as vezes vale mais do que muita coisa, porque dura por gerações, dura mais do que uma rua. Um projeto que eu tenho é a Escola Sem Partido, que busca resguardar o bom ensino. Vou defender o que a gente vê e o que a gente não vê.
A esquerda sofreu um grande baque nesta eleição, perdendo várias prefeituras. Como você enxerga isso?
Alexandre Aleluia – Esquerda está num estágio péssimo, eleitoralmente, perdeu muitos postos, muitos cargos, muitas prefeituras.. Isso acontece. Mas na parte cultural ainda está forte. Tem muita coisa ainda que devemos combater culturalmente. Muita gente começou a enxergar que a realidade não condizia com o sonho que era vendido. O sonho nunca chegou. Não é só a questão da corrupção, que, sim, desgastou muito, mas o pior foi a desilusão, o não chegar do sonho. Isso tudo influenciou. Hoje o PT e partidos auxiliares do PT estão em uma situação ruim, eles vão ter que repensar muita coisa.
Você acredita que eles podem acabar desaparecendo com o tempo?
Alexandre Aleluia – Não, porque se você enxergar de 1960 pra cá, o que aconteceu foi uma revolução cultural. A esquerda revolucionária foi para a guerrilha armada ou para a academia. O que foi pra frente foi a esquerda que foi para a cultura, academia, que assumiu postos estratégicos… essa esquerda ainda está aí muito presente e isso não sairá fácil, nem pela via eleitoral. Sou muito consciente disso, não sou salvador da pátria. A melhora do Brasil vem de uma restauração cultural profunda. Por isso a rede social é muito importante, porque se criou novas formas de informar as pessoas. O Varela Notícias tem um papel fundamental aqui na Bahia.
Qual a sua avaliação sobre o governo de Rui Costa?
Alexandre Aleluia – Tenho muito claro que o bom gestor, estadista, é uma pessoa que pensa em termos geracionais. A partir do momento que você tem uma gestão fiscal ruim, não posso encarar ele como um bom gestor. Isso é coisa que devemos combater com toda firmeza. É só olhar para o Rio de Janeiro. Se continuar assim aqui, vai acontecer a mesma coisa.
Você concorda que há uma onda conservadora avançando no Brasil?
Alexandre Aleluia – Existe uma onda de restauração cultural. Sim, tem uma ala liberal, outra conservadora, outra que quer restaurar o que existe de bom. O principal trunfo de um liberal-conservador é usar as palavras da forma correta. A linguagem é algo que aprisiona as pessoas. Os jargões, a linguagem abstrata, acabam aprisionando os políticos também. O liberal-conservador aplica a linguagem da maneira como deve ser. A partir do momento que um oponente meu falar uma frase e eu não concordar, não vou rebater com jargão e sim com argumentos. A linguagem pode salvar e libertar, mas pode aprisionar também.
Essa sua postura contundente veio da onde, de seu pai (deputado José Carlos Aleluia, do DEM)?
Alexandre Aleluia – Não tenho como dizer que não teve influência dele. Mas também eu acabo o influenciando em algumas coisas. O mais importante é o que a gente traz da ética e moral (dos nossos pais). Não vou dizer que pensamos da forma igual, cada um tem seu espírito, sua alma, seu livre arbítrio. Mas sim, a influência dele é muito grande.
Você sempre vai buscar a ajuda dele durante seu mandato?
Alexandre Aleluia – Não, quem foi eleito fui eu, é algo que eu deixo muito claro para meus eleitores. Tudo que eu defendo é meu. É natural filho escutar conselho do pai, até porque eu sou humilde, então certamente terei algum debate com ele sobre assuntos que eu não tenho domínio completo. Ligarei para quem sabe. E ele certamente sabe. Eu posso me dar ao luxo de ter um bom conselheiro em casa. Mas minhas bandeiras são minhas.
Como você encara a política? Como algo momentâneo ou como uma “carreira”?
Alexandre Aleluia – Pra mim não é carreira, é um cargo que vou procurar servir as pessoas. Por sinal com tempo determinado. É um contrato com tempo determinado. Não encaro como carreira. Não quero nem que me chamem de vereador, me chamem de Aleluia. Continuem me tratando igual porque minha intenção é escutar as pessoas, servir da melhor maneira. Tem vereador que quer subir, ser deputado, senador… mas é o vereador que sabe o que acontece na cidade, porque ouve os prolemas, é quem está mais próximo da população.
O que você acha da gestão do prefeito ACM Neto?
Alexandre Aleluia – Eu admiro muito ele, considero ele um grande estadista, sabe mesclar pessoas experientes com pessoas jovens. Isso é coisa pra se admirar. Uma das coisas da política é ter referências e eu tenho referências. Tem o Aleluia, tem ACM Neto, tem o senador ACM…
Você conviveu com ele?
Alexandre Aleluia – Muito pouco, mas na época que eu o conheci, o deputado Aleluia era líder do partido, tive privilégio de conversar com ele. Sei o valor que ele tem para a Bahia.
Nesta semana o DEM lançou Léo Prates como candidato à presidência da Câmara. Você acha que isso pode significar um racha na base do prefeito ACM Neto?
Alexandre Aleluia – Não existe isso de racha, a base permanecerá unida em torno de um nome. Não estou vendo atrito tão grande a esse ponto. Não haverá tantos problemas em relação a isso. Hoje o partido se uniu a um nome, que é Léo Prates, e acho isso legítimo, porque temos a maior bancada. Léo é um grande vereador, trabalha dia e noite, é muito trabalhador, é meu colega de juventude do partido… tenho certeza que com ele teremos uma grande renovação na Câmara.
Foto: Mathias Jaimes/TV Servidor
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