Prefeitura e Unesco fecham ciclo de debates sobre o Centro Histórico com mesa sobre Cidades e Cultura



O último encontro do ciclo de debates promovido pela Prefeitura de Salvador em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) foi realizado na tarde desta terça-feira (25). O evento, cujo tema foi Cidades e Cultura, ocorreu no Centro de Cultura da Câmara Municipal, localizado na Praça Municipal, e contou com a participação de especialistas, gestores culturais e representantes da sociedade civil.

O secretário de Cultura e Turismo (Secult) de Salvador, Pedro Tourinho, o conselheiro do Grupo Cultural Olodum, Zulu Araújo, e o diretor teatral Márcio Meirelles foram alguns dos participantes desta terça-feira.

Betto Jr SECOM

Tourinho, anfitrião do dia, ressaltou a importância desse espaço de discussão, que já abordou diversos aspectos do distrito cultural do Centro Histórico. Tourinho enfatizou que a parceria com a Unesco trouxe insumos valiosos para qualificar as discussões e estabelecer diretrizes para a valorização do Centro Histórico.

“A gente está no quarto dia de um ciclo de debate sobre o Distrito Cultural do Centro Histórico, passando por vários vieses de discussão de habitação. Hoje é sobre cultura, mas já passamos por questões sociais e questões de reposicionamento como um todo, e é um privilégio poder ter esse evento na cidade, poder ter esse tempo de pensar e discutir junto com a Unesco, trazer insumos para qualificar a discussão. Daqui a gente vai sair com algumas diretrizes para a gente poder trabalhar nesse posicionamento do Centro Histórico”, disse Tourinho.

Zulu Araújo, mestre em cultura e conselheiro do Grupo Cultural Olodum, elogiou a realização do evento e destacou a relevância do tema Cidades e Cultura. “Com relação ao tema de hoje, especificamente, eu diria que não poderia ter um tema mais feliz do que esse, porque, no meu entendimento, cidade é um fenômeno cultural, a cidade é uma criação humana”, ressaltou Zulu.

“A cidade é fruto do aglomerado humano. Consequentemente, a cultura é determinante no seu desenvolvimento, e sendo determinante ela precisa ser levada em conta enquanto elemento estratégico, seja do ponto de vista simbólico, seja do ponto de vista da cidadania ou da economia, ou seja, geração de emprego e renda”, emendou Zulu Araújo.

Márcio Meirelles trouxe ao local a perspectiva artística para as discussões. Ele enfatizou que “pensar a cidade é o primeiro passo para qualquer transformação”. “Pensar esse núcleo, essa obra de arte coletiva, de tantas gerações, que tem tantos territórios, e que tem uma complexidade imensa de diferenças humanas, e qual é o papel da arte nisso? Como sou artista, vou puxar para esse viés, que é o que é a cultura da cidade e qual é o desejo que essa cultura tem da arte, de produção, de consumo, de admiração da arte. E o que isso pode mudar muitas coisas. É inserir esse tema da arte na cidade”, contou.

Completando a mesa, o português Carlos Martins, economista e CEO da Opium, trouxe uma visão econômica para a discussão. Ele ressaltou que a cultura é a “marca identitária de Salvador” e que pode ser um recurso poderoso para enfrentar desafios urbanos, como inclusão social, participação cidadã e desenvolvimento econômico.

“O mais importante nos dias de hoje é que a cidade de fato seja vivida por todos os cidadãos e que a democracia também chegue à decisão. Por isso fico muito contente por participar. É um grande privilégio poder acompanhar esse momento importante também de Salvador”, afirmou Martins.

Ao longo deste mês de julho, os debates trouxeram à tona questões relacionadas ao Centro Histórico e ao Comércio. Dentre os temas abordados em encontros anteriores, estiveram a reabilitação urbana, a dimensão social e a vulnerabilidade em áreas centrais. A iniciativa teve como objetivo refletir sobre ações voltadas para a dinamização dessas regiões e promover a discussão de ideias para a construção de um futuro promissor para a cidade.

Com o término dos debates, está prevista para esta quarta-feira (26) a realização de uma oficina de trabalho para discutir os encaminhamentos futuros das proposições do projeto e das reflexões feitas ao longo do mês. A expectativa é que esse evento promova a articulação de ideias e a elaboração de ações concretas para impulsionar o desenvolvimento do Centro Histórico e do bairro do Comércio, tornando Salvador uma cidade ainda mais rica em cultura, história e oportunidades para todos os seus habitantes e visitantes.



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Clara

Estudante de Letras, Clara Paixão auxiliou diversos autores conservadores em Recife e Carpina (PE). Amante da Liberdade, Clara entende que são preceitos básicos: direito irrestrito ao projeto de vida do próximo, direito à propriedade privada e livre mercado.

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