Categories: DestaquesPolítica

Professor alemão fala no STF sobre criminalização de condutas que negam o Holocausto

ASCOM STF

“O Estado alemão traçou uma barreira clara para se proteger dos ataques de grupos que propaguem mensagens neonazistas que neguem, banalizem ou relativizem o Holocausto”. A afirmação é de Martin Heger, professor doutor que ministra aulas de Direito Penal, Direito Processual Penal, Direito Penal Europeu e História do Direito na Universidade Humboldt de Berlim, durante a palestra “Responsabilidade penal pela negação do Holocausto”, na tarde desta segunda-feira (2), no Supremo Tribunal Federal (STF). O professor veio ao STF a convite do ministro Gilmar Mendes.

Sanções penais

Heger explicou que a democracia alemã não aceita a liberdade absoluta de opinião e manifestação quando se trata do Holocausto, pois este é um fato histórico incontestável, que resultou na morte de milhões de pessoas por motivos étnicos e raciais, ou da difusão de ideias nazistas. Segundo ele, a herança do “arbitrário e violento regime nazista” fez com que a legislação penal, que deveria ser ideologicamente neutra, proibisse expressamente a negação do Holocausto ou a propaganda neonazista. “Na sociedade alemã atual, a liberdade de expressão é ampla, mas ninguém pode justificar o Holocausto. A sociedade não apenas condena com bases morais, mas impõe sanções penais”, disse.

Apenas na década de 1990, com o fim da Guerra Fria e a reunificação da Alemanha, é que o país passou a contar com uma legislação para responsabilizar nominalmente a banalização, a relativização ou a negação do Holocausto. Até então, explica o professor, a lei previa punições para ofensas antissemitas ou afirmações que violassem a memória das vítimas do Holocausto, mas era necessário a concordância do ofendido ou de sua família. Com a nova lei, os procuradores passaram a ter poderes para iniciar a persecução penal contra pessoas ou grupos responsáveis por estes atos.

Pontos em comum – Ao final da palestra, o ministro Gilmar Mendes destacou a importância do tema e os pontos em comum com a realidade brasileira. Ele citou o caso Elwanger (Habeas Corpus 82424), em que foi mantida a condenação de um editor gaúcho por racismo em razão de menções antissemitas, e a decisão recente em que o Tribunal decidiu ampliar o alcance da lei de racismo para proteger as vítimas de ataques homofóbicos. O ministro também ressaltou a similaridade da questão da responsabilização penal pela negação do Holocausto com a minimização ou a negação dos danos causados pela ditadura militar no Brasil.

Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

Recent Posts

Brasil supera Egito em último compromisso antes da Copa do Mundo

Os testes chegaram ao fim para o técnico Carlo Ancelotti. Neste sábado (6), a seleção…

3 horas ago

Em Barra da Estiva, ACM Neto ouve demandas da população sobre água e saúde e promete novo hospital e obras hídricas na região

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato a governador ACM Neto (União Brasil) levou neste sábado…

4 horas ago

Renato Kayzer vira herói, Vitória bate Fortaleza e transforma Barradão em festa histórica

O Esporte Clube Vitória voltou a colocar Salvador no centro do futebol nordestino com uma…

4 horas ago

Menina de quatro anos vive dia especial com garis em ação do Clubinho da Limpurb em Tancredo Neves

A Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) realizou nesta quarta-feira (27) mais uma edição…

9 horas ago

Boletos da TFF e do ISS Autônomo 2026 já estão disponíveis para emissão no site da Sefaz Salvador

Os boletos da Taxa de Fiscalização do Funcionamento (TFF) e do Imposto Sobre Serviços de…

9 horas ago

Segundo Estadão, Rui Costa pode voltar ao STF em caso dos “respiradores em casa de maconha” que deixou R$ 48 milhões sem resposta

O caso dos respiradores voltou com força para o centro da política baiana e agora…

13 horas ago

This website uses cookies.