Otávio Santos SECOM Salvador
O bairro de Itapuã recebe, até o final de novembro, o projeto “Ruas das Artes”. Com o apoio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), a exposição gratuita e interativa ao ar livre apresenta esculturas feitas de material reciclável, murais e grafites, transformando a área em um corredor de expressões artísticas e culturais.
A proposta é oferecer uma experiência enriquecedora para a população que vive no entorno, unindo tradição e arte contemporânea. “Queremos implementar novas intervenções que transformem o bairro em uma referência para exposições de artes visuais, similar ao Beco do Batman em São Paulo. Nossa meta é destacar Itapuã não apenas pelas praias e tradições, mas também como um polo artístico. Além de estimular o interesse pela arte entre moradores e visitantes, desejamos que as pessoas venham ao bairro sabendo que encontrarão arte nas suas ruas”, ressalta Lindomar Luis, coordenador geral do projeto.
As atividades começaram em 10 de outubro e finalizam em 25 de novembro. Ao todo, dez artistas de diferentes segmentos artísticos apresentam suas obras distribuídas ao longo de dez ruas com nomes ligados a linguagens artísticas – sendo elas: Rua da Prosa, dos Versos, do Romance, da Poesia, do Teatro, da Música, da Literatura, da Canção, do Cinema (Rua Nova Canaã) e das Artes Plásticas (Rua Olindina).
O cronograma detalhado pode ser acompanhado no perfil oficial do Instagram @ruasdasartes. O projeto “Ruas das Artes” foi selecionado no edital Territórios Criativos da Fundação Gregório de Mattos, em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), recebendo recursos federais por meio da Lei Paulo Gustavo.
Klaus Schuenemann, diretor artístico, diz que a exposição visa disponibilizar a todos o desfrute da arte. “Nossa expectativa é impactar as pessoas, promover interação com algumas das obras e incentivar uma reflexão sobre como tornar nosso ambiente mais agradável e valorizado. Espero que o projeto seja bem recebido pela comunidade e que possa retornar no futuro, trazendo outros artistas e novas perspectivas para nosso bairro tão boêmio e cultural”, comentou.
Acessibilidade da Arte – O fotógrafo Péricles Mendes, um dos artistas presentes na exposição, compartilha sua visão com a obra Alemmar, que retrata o trabalho dos pescadores e reforça a arte como um meio poderoso de reflexão sobre o mundo em que vivemos.
“São histórias e narrativas que tentam mostrar que aqui pode se tornar um lugar melhor para viver. A importância de um projeto como o Ruas das Artes é justamente essa: as obras, ao invés de estarem restritas a um museu ou instituição, estão nas ruas. Isso permite que pessoas, muitas vezes sem acesso, possam se encantar e se conectar à arte de uma maneira muito acessível”, enfatiza.
Nelma Braga, moradora de Itapuã, destacou o impacto positivo das esculturas feitas com material reciclável: “É uma união do útil ao agradável. Além de ajudar a limpar a praia, o material é transformado em arte para decorar a orla, o que valoriza o local e até atrai turistas. Para os visitantes, é interessante ver esse tipo de arte, algo que talvez não exista nos estados ou países de onde vêm”, avalia.
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