ASCOM Clinica da Continência
A pandemia do COVID- 19 trouxe mudanças profundas em nossas vidas, mudanças que podem impactar muito o nosso futuro, inclusive em relação ao tratamento para câncer do intestino. O Instituto Nacional do Câncer estima um aumento de 4.500 mortes nos próximos 10 anos devido à redução do rastreamento do câncer colorretal durante a pandemia.
Houve uma queda nas taxas de rastreamento do câncer colorretal em todo mundo. Os EUA registraram uma queda de 64% nas taxas de rastreamento, entre o período de março e junho de 2020. O Instituto Nacional do Câncer dos EUA estima um aumento de 4.500 mortes nos próximos 10 anos devido à redução do rastreamento. Outros países, como Canadá, Austrália e Holanda, deverão ter um aumento nas mortes relacionadas ao câncer colorretal nas próximas três décadas devido a uma interrupção no rastreamento como resultado da pandemia.
De acordo com a Dra. Glicia Estevam de Abreu, proctologista, o rastreamento do câncer é uma medida eficaz para o diagnóstico do câncer colorretal, tendo impacto positivo sobre a mortalidade relacionada a esse tipo de câncer. “Adultos acima de 50 anos, assintomáticos, isto é, mesmo sem qualquer queixa intestinal, devem realizar o rastreio para câncer colorretal. Esse rastreamento pode ser através de métodos não invasivos, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes (método FIT) ou teste invasivos, como a colonoscopia”, alertou.
O rastreio com colonoscopia vem sendo muito difundido, pois, além do diagnóstico do câncer, é possível a ressecção de lesões benignas que poderiam sofrer transformação maligna no futuro. No entanto, a pesquisa de sangue oculto nas fezes pelo método FIT é considerado um método útil, tendo a vantagem de poder ser realizado na própria casa. Com ele é possível reduzir as visitas ao hospital e a interação com profissionais de saúde ou outros pacientes, evitando o risco potencial de adquirir uma infecção por coronavírus. Além disso, os indivíduos não precisam seguir nenhuma restrição alimentar para fornecer a amostra de fezes para o exame. A pesquisa de sangue oculto nas fezes pelo método FIT deve ser feito anualmente e sendo positivo, os indivíduos são encaminhados para a colonoscopia, preferencialmente.
Por fim, informar os indivíduos sobre o rastreio do câncer de intestino e sua possibilidade de realização por meio de métodos não- invasivos é muito importante para que a diminuição da mortalidade por esse câncer continue diminuindo. Além disso, o diagnóstico precoce pode evitar cirurgias que estão associadas com taxas consideráveis de morbidade.
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