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A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, na noite de quarta-feira (29), caiu como uma bomba em Brasília e revelou muito mais do que uma simples derrota política. Com 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis (sete a menos do mínimo necessário), o Senado protagonizou a primeira rejeição a um indicado presidencial ao STF desde 1894, um marco histórico que escancarou a fragilidade da articulação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.
Nos bastidores, o resultado expôs um cenário de traições e desconfiança dentro da própria base aliada. Integrantes do governo apontaram dissidências principalmente em partidos como MDB e PSD, além de atribuírem papel decisivo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que teria articulado um movimento silencioso para barrar a indicação.
Também surgiram suspeitas envolvendo nomes de peso, como Rodrigo Pacheco e até o ministro Alexandre de Moraes, em um suposto alinhamento para impedir mudanças na correlação de forças dentro da Corte.
A derrota ganhou ainda mais peso diante do contexto: o governo liberou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares na tentativa de garantir a aprovação, mas não conseguiu segurar nem mesmo aliados próximos. A ausência de dois senadores e o fato de a oposição contar formalmente com apenas 33 dos 81 votos tornam o placar ainda mais simbólico, indicando que o desgaste vai além de divergências pontuais e revela um ambiente político instável para a petezada.
Após o resultado, Lula se reuniu com aliados no Palácio da Alvorada para mapear responsabilidades e avaliar possíveis reações. Entre as medidas discutidas, estão até exonerações de indicados ligados a Alcolumbre, o que mostra que o clima segue tenso. Apesar disso, o presidente sinalizou cautela e evitou decisões imediatas, repetindo a frase de que “não se deve tomar decisões a 39 graus de febre”, numa tentativa de conter o impacto político no curto prazo.
Enquanto isso, o recado do Senado foi claro: o equilíbrio de forças em Brasília mudou, e a próxima indicação ao STF pode ficar para o próximo presidente da República. A derrota não apenas interrompeu os planos do governo como também reposicionou atores importantes do cenário político nacional, colocando o Congresso no centro das decisões e abrindo uma nova fase de disputas pelo controle institucional no país.
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