Representantes ocupam o CAB em defesa da vaquejada

Os representantes da tradicional cultura da vaquejada na Bahia ocuparam áreas do CAB, ao lado da Assembleia Legislativa e em frente ao prédio do Tribunal de Justiça, desde sábado (5) e até a tarde de ontem (6) em defesa da atividade.

Eles estiveram na manhã de sábado (5) em sessão especial pela defesa da cultura da vaquejada, de iniciativa do deputado estadual Eduardo Salles (PP). O deputado é autor da lei que regulamentou as cavalgadas e vaquejadas na Bahia.

A vaquejada passou a ser uma atividade polêmica que está em discussão a partir do pedido de grupos do Ceará para que fosse considerada como cultura, mas encontrou reação do Ministério público.

A questão foi decidida em contrário durante julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 6 de outubro após empate em votação, com voto de “Minerva” dado pela presidente do STF, ministra Carmem Lúcia.

De acordo com Patrícia San Gallo, dona de um haras em Feira de Santana, “o acórdão julgamento, definindo as legislações que a proibiram, no entanto, ainda não foi publicado”.

Por outro lado, a aprovação da Emenda Constitucional apresentada na Câmara Federal, definiu a atividade como Manifestação Cultural e, com isso, estabeleceu-se um conflito institucional.

Conforme Patrícia, a decisão “afetaria, também, cavalgadas e rodeios, mas não há suporte legal ou qualquer regulamentação, para o bem ou para o mal, ou seja, inexiste lei ou regulamentação sobre a matéria que sustente a decisão do STF”. Ela vê um “grave desemprego a ser gerado no caso de que a proibição permaneça. “Apenas no meu caso serão seis desempregados. Somente em Feira temos 20 mil cavalos utilizados em esportes equestres. No Brasil, o número alcançaria 200 mil quartos de milha, cavalos mais utilizados nas competições”, disse. Patrícia chama atenção para o fato de que “não se saberá o que fazer com esses animais”. Ela chegou a prever uma “extinção da espécie”.

As vaquejadas envolvem uma cadeia produtiva composta por criadores, tratadores, vaqueiros, veterinários, fabricantes de ração, de medicamentos, acessórios para montaria, além de toda a estrutura do show business envolvida na promoção das competições, desde os produtores dos eventos aos fabricantes de bonés e fardamentos, entre outros fornecedores, ambulantes e a hotelaria, avaliou.

Ela mostrou, ainda, os investimentos dos criadores em grandes caminhões adaptados para o transporte de animais em condições de conforto e segurança, inclusive com ar-condicionado, além de apartamentos para criadores e vaqueiros no próprio veículo, no caso dos mais ricos. Do mesmo modo, há investimentos em caminhões mais simples pelos criadores mais pobres.

O veterinário Isaac Suzart Gomes Neto citou “trabalhos científicos que checaram o limiar de dor junto a bovinos, equinos e humanos e comprovaram que o limiar da dor em humanos seria bastante distinto do dos animais, no sentido de que os bois se machucam menos”. Conforme o veterinário, São Paulo é o estado que tem mais crias.

No Nordeste, a Bahia detém o maior número de criadores. No entendimento dele, “o boi é um atleta”. De acordo com estimativa do setor, é de que as vaquejadas geram 720 mil empregos, entre diretos e indiretos, em todo o País.

Na Bahia, as grandes competições entre vaqueiros para a derrubada do boi em espaço apropriado acontecem em Serrinha, Inhambupe, Feira de Santana, Berimbau, Cabaceiras do Paraguaçu, Conceição de Maria e Ribeira do Pombal, promovidas pela Associação Baiana de Vaquejadas (ABV) em dez etapas.

As premiações chegam a valores de R$ 100 mil a R$ 700 mil, concedidos por etapas para os vaqueiros inseridos em três categorias: Profissional, amador e aspirante.

Das disputas participam de 300 a 600 vaqueiros que compram “senhas” ao custo de R$ 500, com direito a derrubada de até três bois. Armindo Correia, dono do Parque de Vaquejadas ‘Manoel Armindo’, em Berimbau, chegou a cancelar a competição programada para esta quinta-feira (10) até domingo (13), após a decisão do STF.

A pista da vaquejada no parque dele cabe mil pessoas por evento, mas dispõe, também, de área de shows com capacidade para até 20 mil pessoas. Entre os artistas contratados para os shows, estavam Ivete Sangalo e Leo Santana.

Foto: Reginaldo Ipê

Emmanuel

Como me defino? Pernambucano, católico e ANCAP. Sem mais delongas... " Totus Tuus Mariae". "... São os jovens deste século, que na aurora do novo milénio, vivem ainda os tormentos derivados do pecado, do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra..." Um adendo: somos dois pernambucanos contra um "não-pernambucano". Rs

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