Reprodução Instagram
O líder do governo Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Rosemberg Pinto (PT), tentou jogar para longe do Palácio de Ondina a responsabilidade pelo avanço da violência no estado. Ao comentar a denúncia feita por ACM Neto na Travessa Ubatã, em Narandiba, onde moradores deixaram casas para trás por medo das facções, o petista disse que o opositor “confunde violência e segurança pública” e ainda afirmou que esse “não é um problema da Bahia”, mas do Brasil e do mundo.
Disse Rosemberg Pinto em entrevista ao Informe Baiano: “Esse não é um problema da Bahia, esse é um problema do Brasil, um problema do mundo. Nós precisamos resolver o problema, nós precisamos distribuir renda (…) Lamentavelmente, quando a gente estava caminhando para isso, Bolsonaro distribuiu e Neto, que é o seu eleitor, é responsável por isso”.
O problema é que a Bahia real não vive dentro de um dicionário. Vive em bairros onde famílias são expulsas, ruas ficam vazias, casas aparecem marcadas por tiros e comunidades passam a obedecer à lei imposta pelo crime. Violência é o problema. Segurança pública é a resposta que o Estado deveria dar. Quando essa resposta falha por anos, o governador não pode fugir da responsabilidade com jogo de palavras, porque quem governa a Bahia também comanda a política de segurança, a inteligência, a prevenção e o enfrentamento às facções.
A Constituição Federal diz que segurança pública é dever do Estado e existe para preservar a ordem pública e a integridade das pessoas. Por isso, quando o crime organizado avança, domina território e transforma famílias trabalhadoras em refugiadas dentro da própria cidade, a discussão deixa de ser apenas social e passa a ser também uma cobrança direta sobre a gestão estadual.
A Bahia não chegou a esse ponto por acaso: foram 20 anos de governos petistas no comando do estado, com Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues, enquanto o medo foi crescendo nas periferias e a população ficou esperando uma resposta à altura.
Os números ajudam a explicar por que a fala de Rosemberg pegou tão mal. O Atlas da Violência 2026 apontou que o Brasil teve 42.590 homicídios em 2024, com taxa nacional de 20,1 por 100 mil habitantes, enquanto levantamentos sobre a Bahia mostram o estado em posição crítica nos rankings de violência. No primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Justiça citados pela CNN Brasil, a Bahia registrou 818 vítimas de homicídio doloso e ficou atrás apenas do Rio de Janeiro no país.
Rosemberg pode debochar de ACM Neto, pode culpar Bolsonaro e pode tentar empurrar o problema para o mundo inteiro, mas a pergunta que fica é simples: se Jerônimo governa a Bahia, por que a Bahia segue nas mãos do medo?
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