Feito em IA - Nano Banana
Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia apontou “erros administrativos grosseiros” na gestão dos recursos usados para a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia. O relatório recomenda a desaprovação das contas de 2020 do então governador Rui Costa, que presidia a entidade naquele período, e também responsabiliza o ex-secretário-executivo Carlos Gabas.
O processo, porém, ainda está em fase de instrução, será relatado pelo conselheiro João Bonfim e precisará passar pelo plenário do TCE-BA antes de seguir para a Assembleia Legislativa, responsável pela palavra final sobre as contas.
O negócio que virou caso de polícia envolveu o pagamento antecipado de R$ 48,7 milhões à Hempcare Pharma Representações, empresa ligada originalmente ao comércio de produtos à base de cannabis. Os respiradores nunca foram entregues. Segundo os auditores, a companhia tinha capital social de apenas R$ 100 mil (cerca de 0,2% do valor contratado), havia sido criada poucos meses antes, não possuía experiência comprovada no setor e não tinha registro na Anvisa para comercializar equipamentos médicos.
Mesmo com esse retrato pra lá de arriscado, o dinheiro saiu antecipadamente dos cofres públicos.
O relatório também afirma que alertas da Procuradoria-Geral do Estado não teriam sido observados. A PGE havia condicionado o pagamento antecipado à adoção de garantias, estimativas de preços e apresentação de certidões negativas. Os técnicos ainda encontraram cláusulas contratuais frágeis, falhas contábeis, problemas de transparência e deficiências nos controles internos.
Para a auditoria, houve “evidente descuido” na análise dos riscos ao permitir que uma empresa sem experiência funcionasse como intermediária de uma compra internacional desse tamanho.
Rui Costa não comentou publicamente o novo relatório, mas sua defesa no processo sustenta que a contratação ocorreu no cenário excepcional da Covid-19, quando havia escassez mundial de equipamentos e uma corrida desesperada por respiradores.
A defesa afirma ainda que a escolha da Hempcare foi colegiada entre os governadores e que foram adotadas providências para recuperar o dinheiro. Carlos Gabas também nega dolo ou má-fé. Em abril de 2025, o Tribunal de Contas da União arquivou a apuração de responsabilidade contra os dois e determinou uma tomada de contas especial voltada à Hempcare; já as investigações criminais sobre a compra continuam sob sigilo.
O novo parecer do TCE-BA não representa condenação definitiva, mas recoloca no centro do debate uma pergunta que segue sem resposta seis anos depois: onde foram parar os R$ 48,7 milhões pagos por equipamentos que jamais chegaram?
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