Categories: DestaquesPolítica

Senado adia votação sobre decisão do STF pelo afastamento de Aécio Neves para próxima terça

A votação do Plenário do Senado sobre a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que, por 3 votos a 2, afastou Aécio Neves (PSDB-MG) do exercício de seu mandato e determinou o recolhimento noturno do senador em casa ficou para a próxima terça-feira (3). Nesta quinta-feira (28) foi aprovado requerimento de urgência para análise da questão, mas a pedido do líder do PSDB, Paulo Bauer, a análise do ofício encaminhado pelo STF foi adiada.

Por volta das 11h40 apenas 55 senadores haviam registrado presença, o que segundo Paulo Bauer, seria um número insuficiente para analisar a questão. Em sua avaliação, todos os senadores deveriam participar de um debate tão importante:

“Tenho a convicção que  o voto de cada um deve demonstrar e esclarecer para opinião pública o que o Senado pensa a respeito das decisões que são tomadas neste sentido pelo Supremo”, sustenta.

Alguns senadores defenderam entendimento que o afastamento não tem respaldo na Constituição. O artigo 53 da Constituição Federal prevê a prisão para parlamentares só em caso de “flagrante delito de crime inafiançável”. Ainda conforme esse artigo, a prisão de um congressista tem de ser referendada pela Casa Legislativa que ele representa. O recolhimento noturno determinado pela Primeira Turma equivaleria, nesse entendimento, a um regime de prisão semiaberto, no qual um condenado trabalha de manhã e retorna para a penitenciária à noite.

Jorge Viana (PT-AC) argumentou que não há consenso sobre o afastamento nem mesmo no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não há previsão na Constituição para o afastamento do senador. Não é decisão do Supremo, mas de uma turma do Supremo por 3 votos a 2. O adiamento é uma oportunidade de buscar a decisão do seu Pleno em caráter excepcional. Há profunda divergência entre membros do Supremo. Essa decisão coloca o país à beira de uma crise institucional”, disse.

Lasier Martins (PSD-RS) concordou com o adiamento da discussão por acreditar que a situação é grave, e a prudência ajuda a evitar o conflito institucional entre Senado e Supremo. Mas lembrou que a Constituição garante, desde a expedição do diploma, que os membros do Congresso não poderão ser presos, salvo em flagrante.

“Dizer que recolhimento à noite não é prisão é eufemismo”, opina.

O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) pediu que o STF analise com urgência a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), proposta por PP, PSC e Solidariedade, que pede à Corte que decida sobre a possibilidade ou não do afastamento de mandato parlamentar através de ato cautelar determinado por aquela Casa.

Cristovam Buarque (PPS-DF) defendeu também que o Senado articule com o Supremo Tribunal Federal uma decisão definitiva sobre o afastamento do senador Aécio. Ele avaliou que o Senado demorou a decidir sobre a questão ao não abrir processo contra Aécio no Conselho de Ética:

“Podíamos ter feito o julgamento no Conselho de Ética. Demos chance ao judiciário para aparecer para o Brasil inteiro como quem salvaguarda a moral”, disse.

O senador Humberto Costa (PT-PE) comunicou em Plenário que o PT vai representar contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no Conselho de Ética para que a instância analise se houve quebra de decoro pelo parlamentar de Minas Gerais.

Outros parlamentares entendem que o Senado não deveria deliberar sobre a decisão da Primeira Turma. Eles sustentam que as medidas cautelares impostas ao senador estão previstas no Código de Processo Penal (CPP). Alvaro Dias (Podemos-PR) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defenderam que a questão seja decidia pelo próprio Supremo. Conforme Randolfe, o Senado pode abrir uma crise institucional se derrubar a decisão judicial:

“Decisão judicial se cumpre. Compreendemos que isso é tema de deliberação do Supremo Tribunal Federal. Temos que dar tempo para o Supremo decidir”, disse Randolfe.

Para o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) o Senado não deveria demorar a decidir sobre a questão. Ele defendeu a votação do ofício ainda nesta quinta-feira.

“Cada dia são horas e minutos de reafirmação da separação dos poderes”, salienta.

O afastamento foi uma medida cautelar pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito em que o tucano foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça, com base nas delações premiadas da empresa J&F. A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal foi tomada na terça-feira (26).

Fonte: Agência Senado

 

Emmanuel

Como me defino? Pernambucano, católico e ANCAP. Sem mais delongas... " Totus Tuus Mariae". "... São os jovens deste século, que na aurora do novo milénio, vivem ainda os tormentos derivados do pecado, do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra..." Um adendo: somos dois pernambucanos contra um "não-pernambucano". Rs

Recent Posts

ACM Neto celebra 7 de Setembro em Juazeiro e destaca força do Vale do São Francisco

O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) participou, nesta segunda-feira (7), das…

5 horas ago

No Dia da Independência, ACM Neto mira os que se acham “donos da Bahia”: “Liberdade é poder votar em quem quiser”

O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) defendeu, nesta segunda-feira (7), Dia…

5 horas ago

Cezar Leite critica candidatos que escondem Flávio Bolsonaro: “Se não apoia claramente, não merece voto da direita”

Cezar Leite endurece o discurso no 7 de Setembro, cobra apoio explícito a Flávio Bolsonaro…

7 horas ago

Bruno Reis compara 2022 com 2026, cita rejeição de Jerônimo Rodrigues e vê cenário muito mais favorável a ACM Neto

Bruno Reis compara a eleição de 2026 com a disputa de quatro anos atrás, destaca…

7 horas ago

Leandro de Jesus cobra direita na Bahia: “Quem não carrega o nome de Flávio Bolsonaro não merece o seu voto”

Leandro de Jesus endurece o discurso no 7 de Setembro, cobra apoio explícito a Flávio…

8 horas ago

Seleção brasileira terá 1ª convocação pós-Copa em 9 de setembro

A primeira convocação da seleção brasileira pós-Copa do Mundo está programada para a próxima quarta-feira…

12 horas ago

This website uses cookies.