A decisão do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas estrangeiras colocou fogo no debate político no Brasil. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que chamou as facções de duas das organizações criminosas mais violentas do país e afirmou que elas têm redes que passam das fronteiras brasileiras e chegam até território americano.
A medida passa a valer em 5 de junho de 2026 e abre caminho para sanções, bloqueio de ativos e ações mais duras contra estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.
A reação no governo Lula foi imediata. Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, disse que “cooperação internacional é bem-vinda”, especialmente contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, mas alertou que usar isso como “pretexto para intervenção é inaceitável”.
Do outro lado, aliados de Jair Bolsonaro comemoraram a decisão: Eduardo Bolsonaro afirmou que PCC e CV poderão ser combatidos “igual Bin Laden”, enquanto o Planalto teme que a medida fortaleça a narrativa bolsonarista de que o governo petista perdeu o controle da segurança pública.
No Congresso, uma proposta já aprovada na Comissão de Relações Exteriores da Câmara também tenta classificar PCC, CV e outros 11 grupos criminosos latino-americanos como organizações terroristas.
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