Crédito: Mathias Jaimes/TV Servidor
O debate sobre o serviço de transporte pelo aplicativo Uber entre os vereadores esquentou a ‘Super-Terça’ durante a sessão ordinária na Câmara Municipal de Salvador, na tarde de terça-feira (14), sob o comando do presidente da Casa, Leo Prates (DEM). O Projeto de Lei, de autoria do vereador Maurício Trindade (DEM), que regulamenta o novo sistema em Salvador, se tornou alvo de embate entre parlamentares do governo e da oposição que, durante o pinga-fogo, se dividiram na tribuna do plenário para posicionarem-se contra ou a favor da proposta durante discursos, intervenções e apartes diante da manifestação de motoristas de taxi e do aplicativo que lotaram as galerias do Legislativo para acompanharem a discussão.
Durante o rodízio na tribuna, os vereadores do governo e da oposição apresentaram argumentos contra ou a favor do Uber que acalorou e acirrou o debate entre os parlamentares, gerando manifestações entre os profissionais taxistas e do Uber nas galerias do plenário.
Antes de passar a fala ao vereador Maurício Trindade, autor da proposta que pretende regularizar o serviço de transporte pelo aplicativo na cidade, o presidente da Casa, vereador Leo Prates, que comandou a sessão na terça (14), defendeu o debate democrático e apelou aos trabalhadores do Uber e do táxi pelo respeito ao discurso dos vereadores na Casa e pelas manifestações de forma pacífica e ordeira.
“Nós que estamos em uma Casa democrática, que a gente possa respeitar quem pensa diferente da gente, se não, nós passaríamos a viver em uma ditadura. O que nós estamos propondo é, justamente, o debate pra que a sociedade possa se decidir no que é melhor para a cidade do Salvador”, disse Prates.
Em seu discurso na tribuna do plenário, o vereador Maurício Trindade expôs seus argumentos em defesa ao Uber em Salvador ao citar que a cidade de Recife já tem 10 mil motoristas que trabalham com serviço de transporte pelo aplicativo e defende a regulamentação do sistema na capital baiana para concorrer de igual para igual com os taxistas.
“Se não for regulamentado, todo mundo que não tem emprego em Salvador vai dirigir o carro do Uber e Yet Go. Todos tem a mesma intenção em colocar o pão na mesa, do pai de família que dirige táxi, do pai de família que dirige o Uber. Maior do que o Uber, já está chegando em Salvador o Yet Go, que é maior do que o Uber no Brasil. Serão mais 3, 4, 5 mil pais de família trabalhando. Falo contra o empresário de táxi que escraviza o motorista de táxi”, argumenta Trindade.
Mesmo defendendo o motorista de Uber e do Yet Go, o vereador deu entrada na Casa na terça (14) à ampliação da frota de táxi em Salvador, pois conforme o legislador, em torno de 7 mil táxis estão congelados há muitos anos para que o motorista de táxi possa requerer sua licença de táxi e sair da escravidão do empresário de táxi.
“Não é a Câmara que vai aprovar e regulamentar o Uber. A população de Salvador já aprovou, o Brasil já aprovou se os senhores forem até a porta da Prefeitura e da Camara vão ver que os funcionários da Câmara e da Prefeitura não chegam de táxi, chegam todos de Uber de Yet Go. Voces tem que ver a realidade e a realidade é que o motorista de táxi ficou defasado. O principal interessado na regulamentação do Uber e do Yet Go é o motorista de táxi para que não tenhamos 10, 20 mil motoristas de Uber na cidade e ninguém mais tome o táxi. Ninguém é contra o Uber e o Yet Go. A cidade aprovou, está usando e aprovando”, ressalta.
O lider do governo na Casa, vereador Henrique Carballal (PV), destacou que a polemica em torno do Uber e do táxi abre espaço para o contraditório ao lembrar do cumprimento das leis que impedem a regulamentação do sistema de transporte pelo aplicativo em Salvador.
“As leis podem ser ruins, mas são as leis. Nós não podemos viver sem leis. Se nós vivermos sem leis e não respeitarmos as leis , seja o que for, os poderosos das multinacionais ou os simples cidadãos, muitas vezes respondem quando não estão cumprindo com a legislação”, pontua Carballal.
Já o líder da oposição, vereador José Trindade (PSL), destacou a importancia de reabrir o debate sobre o assunto e posiciona-se a favor da regulamentação dos direitos dos trabalhadores. Para ele, o Uber é uma evolução.
“Nós não queremos simplesmente que o Uber chegue pra cá e venha com uma condição diferenciada. Tem que ser uma condição de igualdade para quem está trabalhando. Precisa sim regulamentar pra garantrir os direitos dos trabalhadores, mas a evolução que existe não pode parar. Isso é uma evolução. Voce chegar e ter a sua disposição um telefone e pedir um táxi. O trabalhador do Uber, inclusive, tem o seguro-garantia de acidentes de até R$ 100 mil. A cidade evoluiu, o mundo evoluiu. Hoje, se tem Uber em 70 países em 400 cidades em todo o mundo. Isso é uma evolução e nós não podemos parar aqui e ficar atrasados. Salvador já tem muita coisa atrasada e não pode ficar mais nesse atraso. Nós temos que permitir que os pais de família possam trabalhar. Hoje, só está desempregado em quer porque pode trabalhar com o Uber. Só não queremos que Uber seja de uma forma clandestina e a Câmara tem que regulamentar como o Uber já regulamentado em outras cidades”, defende.
Pela oposição e, ao mesmo tempo, fazendo oposição aos dois Trindade favoráveis ao Uber, o vereador Moisés Rocha (PT), diante da polêmica entre Uber e táxi, considera que é preciso aprofundar o debate e analisar outros pontos, a exemplo da relação de trabalho, preocupação aos usuários e a defesa do trabalhador e da legalidade do serviço.
“O usuário quer mais barato. Cabe mostrarmos aos usuários do Uber que o barato sai caro. Temos que fazer a defesa do trabalhador. Nós podemos ver recorte de jornais em vários países do mundo que os trabalhadores de Uber estão insatisfeitos, ganhando pouco e reclamando porque são explorados como escravos. Inclusive, na terra onde o Uber surgiu, nos Estados Unidos e em Nova York há trabalhadores de Uber ganhando menos que 1 salário mínimo. Tem mais um ponto interessante, que é a legalidade. O Uber onde ele chega desrespeita as leis, passa por cima das leis, não respeitam liminar, lei municipal, lei estadual. Quem está na clandestinidade passa por cima disso tudo. Isso é o que? Uma província? Para eles virem dos Estados Unidos, uma empresa de capital fechado ue, em cinco anos, acumula um capital de U$$ 20 bilhões e hoje estima-se em mais de U$$ 40 bilhões, chega no Brasil e acha que aqui é Colômbia e coloca do jeito que quer, a hora que quer, passando por cima do que esta Camara aprovou por unanimidade. O Bezerra da Silva já dizia que ‘malandro é malandro e mané é mané’, porque o Uber é contratado no mundo que manda no contratante. Eles dizem que o motorista é quem contrata ele. O motorista contrata e o Uber diz o valor da passagem, diz o valor do desconto, diz as horas que tem que trabalhar para dar produtividade e, o que é pior, recebe primeiro o dinheiro dele para depois pagar ao motorista. É por isso que lá no Reino Unido foi reconhecido o vínculo trabalhista diferente dos motoristas de Uber. É por isso que em Minas Gerais estão reconhecendo o víncuo trabalhista. Por isso, essa questão da regularização nãõ pode ser feita de forma assodada. Precisa não somente analisar a questão da legalidade, mas a questão de direitos trabalhistas, a questão do vínculo, a questão de quem são, de fato, os proprietários da empresa de uma economia de capital fechado. Na China, há um prejuizo de mais de U$$ 1 milhão de dólares com a criação do aplicativo deles lá e colocaram o Uber pra correr. Nós podemos fazer o nosso próprio aplicativo, pois temos competencia e condições. Não precisa de fora como na época do Brasil Colônia, em tirar nossa riqueza pra levar pra fora. Nós somos capazes sim admiinistrarmos as nossas próprias riquezas. Nós queremos fazer o apelo aos vereadores Maurício Trindade e José Trindade para que esse discurso possa ser precedido de um debate bem amplo para não trazermos prejuízos a nossa sociedade e para os trabalhadores taxistas”, afirma Moisés.
A vereadora Marcelle Moraes (PV) saiu em defesa do Uber durante seu discurso no plenário da Casa ao afirmar que o aplicativo é aceito pela população de Salvador e criticar os maus tratos por parte dos taxistas.
“Eu já tive, infelizmente, a oportunidade de ter meu animal doente e não conseguir levar para um veterinário porque um taxista não aceitou o meu animal, visto que o Uber hoje através de aplicativoa gente pode solicitar que aceitem os nossos animais. Eu acho que a gente não pode ficar no regresso. A gente tem que progredir sempre. A gente tem que evoluir sempre. Eu acho muita hipocrisia que muitos aqui dizem que é contra o Uber e por fora andam usando o Uber. O Uber só é ilegal porque a gente ainda não legalizou. Eu estou aqui não é representando classes, mas a população de Salvador que apela e que pede pelo Uber na cidade. Vamos nessa. Na luta a favor do Uber”, disse Marcelle.
O vereador Hilton Coelho (PSOL) foi taxativo ao afirmar que é contrário ao Uber.
“Esse aplicativo que surge como uma grande novidade e seduz o consumidor na perspectva de uma economia, na verdade, é um alarme falso e quem vem trazendo prejuizos muito grande do ponto de vista social se nós pensarmos amplamente. Primeiro, a precarização do trabalhador do Uber. Essa diferença de preço está relacionada a super exploração do trabalhador. O segundo elemento é que não se pode comparar as taxas pagas pelos taxistas em relação aos trabalhadores do Uber e o município deixa de arrecadar em relação a essa questão. E por fim, é uma empresa holandesa, que como qualquer multinacional, exploram os trabalhadores em qualquer local”, critica Hilton.
Rafael Santana
O candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou neste sábado (1º), em…
Há vídeos que duram poucos segundos, mas resumem um mandato inteiro. Na minha avaliação, este…
Salvador segue ampliando sua presença no cenário internacional do turismo. A capital baiana registrou crescimento…
Após ultrapassar 18 mil atendimentos na capital baiana, o Viver Salvador nos Bairros chega à…
Moradores de São Cristóvão fecharam trecho da Avenida Paralela e cobraram justiça pela morte de…
O candidato a governador da Bahia ACM Neto (União Brasil) destacou, nesta sexta-feira (31), a…
This website uses cookies.