
O preço do quilo da picanha sofreu um aumento significativo neste fim de ano em São Paulo, atingindo R$ 77,44 em novembro de 2024, quase 10 reais a mais do que no mesmo período do ano passado. Segundo um levantamento do Instituto de Economia Agrícola, o valor em 2023 era de R$ 67,67. Entre os principais fatores para o aumento estão o dólar alto, a seca prolongada que afetou as pastagens e a menor oferta de carne devido à redução no abate de vacas. Mesmo com uma produção recorde de 10,2 milhões de toneladas no Brasil, o preço do corte continua distante da realidade de muitas famílias.
A promessa de tornar a picanha acessível aos mais pobres, feita por Lula em 2022, ainda parece distante. Durante a campanha eleitoral, o presidente declarou que o Brasil precisava voltar a crescer para que o povo pudesse “comer picanha e tomar uma cervejinha”.
Porém, mesmo corrigido pela inflação, o preço atual só perde para os valores registrados na crise de 2021 (R$ 85,90) e no fim de 2022 (R$ 81,10). Desde os governos petistas até hoje, o quilo da picanha subiu de R$ 22,20, em 2007, para os atuais R$ 77,44.
O impacto é sentido diretamente no orçamento familiar. Para comprar quatro quilos de picanha para o Ano-Novo, um grupo de amigos vai gastar cerca de R$ 310, enquanto no Réveillon anterior esse valor seria de R$ 271, uma diferença de R$ 39. Para muitos brasileiros, especialmente os de renda média e baixa, a carne segue como um item de luxo, mesmo diante de promessas de melhora econômica.
A alta também reflete no cenário macroeconômico. A mudança no ciclo pecuário e os efeitos climáticos foram citados pelo Copom como razões para o aumento da taxa Selic, que chegou a 12,25% ao ano. Enquanto isso, a população segue sentindo os reflexos no bolso, com a picanha cada vez mais distante do churrasco dos sonhos prometido durante a última campanha presidencial.
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