
Jair Bolsonaro não pretende recuar diante da ofensiva do STF e da PGR. Denunciado por suposta “trama golpista”, o ex-presidente reforça a estratégia de manter sua candidatura para 2026, enquanto ministros do Supremo tentam acelerar seu julgamento ainda neste ano. A aposta do ex-mandatário é na mobilização popular e no apoio internacional para enfrentar as acusações e evitar que sua influência política seja minada.
Durante reunião com aliados, Bolsonaro reafirmou que sua opção “A, B e C” é seguir na disputa até o fim.
A divulgação dos depoimentos de Mauro Cid adicionou mais tensão ao cenário. A delação do ex-ajudante de ordens tem sido usada como base para a denúncia do procurador-geral Paulo Gonet, que acusa Bolsonaro e 33 aliados de crimes como tentativa de golpe de Estado e participação em organização criminosa. No entanto, partes da própria delação de Cid, que poderiam relativizar a tese da PGR, foram convenientemente ignoradas. Bolsonaro, por sua vez, tem reafirmado que as movimentações jurídicas contra ele são motivadas por perseguição política.
Diante da pressão, o ex-presidente e sua base montaram uma estratégia de reação. O manifesto “Em Defesa da Democracia e da Liberdade no Brasil” foi elaborado, afirmando que “o sistema quer matar Bolsonaro politicamente porque ele já aparece à frente das pesquisas contra o descondenado”. Além disso, os atos marcados para 16 de março foram reformulados. Inicialmente, a manifestação era contra Lula, mas agora o foco será a anistia e o “Fora, Lula” na eleição de 2026.
Nos bastidores, parlamentares bolsonaristas reforçam que a tentativa de impedir Bolsonaro de concorrer em 2026 representa uma ameaça ao processo democrático. “Golpe é tirar Bolsonaro da disputa”, afirmou o deputado Evair Melo (PP-ES). A expectativa do grupo é que o cenário político e a queda da popularidade de Lula criem um ambiente desfavorável para uma eventual condenação do ex-presidente, pressionando o STF a adiar o julgamento.
A denúncia apresentada por Gonet vai além das investigações da Polícia Federal e inclui alegações ainda sem comprovação sólida, como a suposta anuência de Bolsonaro a um plano de assassinato de Lula, Alckmin e Moraes. Para sustentar essa acusação, a PGR cita mensagens de WhatsApp e documentos vagos, sem apresentar provas concretas.
O próprio Cid, em sua delação, disse não ter conhecimento se Bolsonaro sabia do plano, mas esse trecho foi ignorado na peça acusatória.
Enquanto isso, Bolsonaro mantém sua linha de defesa e segue articulando com sua base política. Seus aliados acreditam que o julgamento pode ser adiado se a pressão popular crescer. O ex-presidente também já admitiu a possibilidade de ser preso, mas orientou seus apoiadores a não reagirem.
O jogo está longe do fim, e o cenário indica que a disputa entre Bolsonaro e o sistema judiciário será um dos principais embates políticos dos próximos meses.
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