
A crise no PSD da Bahia escancarou de vez a ruptura entre dois aliados históricos. O senador Otto Alencar passou a sustentar publicamente que não traiu o compadre Angelo Coronel e, num movimento que caiu mal no meio político, acusou o amigo de mais de 40 anos de tentar aplicar um “golpe interno” para tomar o comando do partido no estado.
Coronel reagiu rápido, foi às rádios e negou qualquer articulação, classificando a acusação como “absurda”.
Nos bastidores, a avaliação é quase unânime: a família Coronel não teve participação alguma na filiação do governador de Goiás Ronaldo Caiado ao PSD. Coronel soube do movimento cerca de 20 minutos antes do anúncio oficial e apenas comemorou.
O estopim da crise foi a decisão de Otto de priorizar a manutenção da aliança com o PT, tanto na Bahia quanto no plano nacional, após alcançar dois objetivos pessoais: garantir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado para o filho, Otto Filho, e projetar Daniel Alencar como um dos deputados federais mais votados do estado. Nesse processo, entrou em rota de colisão com Coronel, que manteve a candidatura à reeleição ao Senado e não aceitou ser escanteado pela petezada.
Na tentativa de sair da crise sem a marca de traidor, Otto mudou o discurso. Primeiro dizia que não abriria mão de Coronel na chapa; depois, passou a se colocar como vítima, acusando o aliado de “quebra de confiança”. Coronel, por sua vez, reafirmou que pretende seguir no PSD, mas deixou claro que só fica onde houver respeito político.
No meio desse embate, o PT conseguiu algo raro na política baiana: destruir uma aliança pessoal e política construída ao longo de quatro décadas.
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