
A ampliação do metrô de Salvador até o Campo Grande começou a provocar mudanças profundas no coração histórico da cidade. Para viabilizar o novo trecho de 1,2 km que ligará o Campo Grande à Estação da Lapa, o governo da Bahia iniciou demolições de imóveis antigos e prepara novas desapropriações na região.
Dois casarões centenários já foram derrubados desde o fim do Carnaval e um terceiro prédio histórico, o sobrado onde funciona a Fundação João Fernandes da Cunha, construído em 1884, pode ser o próximo a desaparecer.
O projeto, anunciado em junho de 2024 e executado por um consórcio formado pelas empresas Áyla Construtora, OECI, Metrô Engenharia e MPE Engenharia, tem custo estimado em R$ 1,127 bilhão e prevê a desapropriação de cerca de 6 mil metros quadrados no Campo Grande, sendo 4,2 mil m² apenas no Largo do Campo Grande, com indenizações calculadas em aproximadamente R$ 30 milhões, segundo dados da Companhia de Transportes da Bahia (CTB).
A decisão atinge diretamente um espaço cultural que funciona desde os anos 1990 no número 584 do Largo do Campo Grande. A presidente da instituição, Zenilda Fernandes da Cunha, afirma que a fundação recebeu notificação de desapropriação poucos meses após a definição do consórcio responsável pela obra e que advogados já alertaram que a demolição seria praticamente inevitável. O casarão também guarda parte da memória cultural de Salvador: até meados do século passado funcionou ali o Clube Carnavalesco Cruzeiro da Vitória, conhecido como Clube da Cruz Vermelha, palco de bailes tradicionais e shows de artistas como Wando e Jerry Adriani.
Enquanto máquinas já derrubaram imóveis vizinhos, funcionários e frequentadores da fundação agora vivem a incerteza sobre o futuro do acervo e das atividades culturais que marcaram décadas da história do Campo Grande.
(Com informações do Correio)
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