
A morte de policiais na Bahia voltou ao centro do debate depois de uma sequência de casos de grande repercussão em Salvador e no interior, somada à dificuldade de encontrar um dado público único e consolidado sobre quantos agentes foram assassinados ou mortos no estado desde o início do governo Jerônimo Rodrigues.
Um dado oficial repassado pela PM ao Bahia Notícias, na época, mostrou que, até 28 de setembro de 2023, cinco policiais militares já haviam sido mortos na Bahia naquele ano, sendo quatro de folga e um em serviço.
Um dos episódios mais marcantes daquele período ocorreu na noite de 27 de setembro de 2023, no Iapi, em Salvador. Segundo o Correio, os policiais militares Anderson de Souza Santana e Marcelo Santana morreram após uma perseguição que terminou em troca de tiros. A ocorrência começou por volta das 19h30, após suspeita de assalto a um carro de aplicativo, e terminou com os dois agentes baleados junto com um suspeito.
Poucos meses depois, o mesmo bairro voltou ao noticiário com mais uma baixa na corporação. O soldado Guilherme Alves Pinheiro, da 37ª CIPM, foi morto na tarde de 2 de janeiro de 2024, durante rondas no Bem Amado, no Iapi, conforme publicou o Correio. A própria PM informou, segundo a reportagem, que não se sabia de onde partiram os tiros no momento inicial da apuração.
Em 2025, outro crime de forte repercussão atingiu a Polícia Civil. O investigador da Core Marcus Vinicius Peixoto Carrete foi assassinado na noite de 8 de março de 2025, em uma praça de Stella Maris, em Salvador, de acordo com A Tarde. Depois, a CNN Brasil informou que Marcus, de 41 anos, foi morto por engano, atingido pelas costas com seis tiros, e que não estava em serviço quando foi executado.
Já em 2026, a pressão aumentou com novos casos envolvendo policiais militares. O cabo Glauber Rosa Santos, de 42 anos, foi baleado na cabeça durante uma ação policial no dia 3 de fevereiro de 2026, na entrada do Vale das Pedrinhas, no Complexo do Nordeste de Amaralina, e morreu após ser socorrido ao HGE, segundo o Correio e a CNN Brasil.
Antes disso, em 15 de janeiro de 2026, o capitão Osniésio Pereira Salomão, de 37 anos, foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto em Salvador, também conforme o Correio.
No interior, o soldado Eduardo César do Nascimento Filho, de 43 anos, morreu em 10 de janeiro de 2026, após ser baleado durante perseguição a suspeitos em Santaluz.
Além dos casos individuais, os levantamentos mostram que o problema é maior do que os episódios que ganham manchete. O Instituto Fogo Cruzado registrou que 25 agentes de segurança foram baleados em Salvador e na Região Metropolitana em 2025, dos quais 20 morreram. O próprio relatório ressalta que esse recorte vale para Salvador e RMS, não para toda a Bahia, o que ajuda a explicar por que ainda falta transparência sobre um total estadual consolidado de policiais mortos no período recente.
O retrato final é duro: há casos documentados, nomes, datas e uma sucessão de enterros de agentes de segurança, mas ainda não existe, de forma facilmente acessível ao público, uma série oficial unificada que some policiais civis e militares mortos em toda a Bahia desde 2023.
Na Bahia do PT a morte de agentes já deixou de ser episódio isolado para virar sintoma recorrente da crise de segurança.
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