
A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial. O texto, relatado pelo deputado Leo Prates, prevê transição em duas etapas: primeiro para 42 horas e depois para 40 horas semanais em até um ano.
A proposta teve apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agora segue para análise do Senado.
Segundo dados do Ministério do Trabalho, cerca de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros atuam atualmente no regime 6×1.
Enquanto o Palácio do Planalto comemorou a medida como uma “conquista civilizatória”, parte do setor produtivo reagiu com forte preocupação. Entidades empresariais e especialistas em mercado de trabalho alertam que a mudança pode aumentar drasticamente o custo operacional de pequenos negócios, especialmente em setores como comércio, farmácia, supermercados, bares, restaurantes e serviços.
Estudo citado pela Confederação Nacional da Indústria aponta possibilidade de impacto de até R$ 77 bilhões no PIB caso não haja ganho de produtividade.
Para muitos micro e pequenos empresários, a conta pode acabar chegando em forma de redução de equipes, fechamento de unidades e aumento da informalidade.
A votação também escancarou a divisão política no país. Parlamentares da direita e da esquerda acabaram votando lado a lado em alguns momentos da tramitação, enquanto nomes como Nikolas Ferreira acusaram o governo e aliados de fazer “manobra populista” em ano pré-eleitoral. Já defensores da proposta afirmam que o trabalhador brasileiro vive exausto após décadas sem redução oficial da jornada.
A expectativa agora é de uma pressão intensa do empresariado sobre o Senado, que pode se transformar no grande palco da disputa econômica e política envolvendo a PEC da 6×1 nas próximas semanas.
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